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Autorregulação da Zona Oral em Crianças com TEA

Explorar objetos com a boca é algo normal durante os primeiros anos de vida. Mesmo sendo adultos, colocamos coisas na boca para ajudar a regular nosso sistema nervoso e, às vezes, acalmar a ansiedade.

É um problema que uma criança com TEA morda objetos ou as mãos?

O problema surge quando o comportamento interfere no desempenho funcional, ou seja, na autonomia para realizar as atividades da vida diária.

Sobretudo no caso de crianças com Transtornos do Espectro Autista (TEA), observamos que elas chupam as mangas, as alças da mochila, as golas das camisas, as pedras do pátio, comem os lápis ou mordem as borrachas, roem as unhas quase por completo, mordem a si mesmas (os braços ou mãos), colocam pedras ou folhas secas do pátio na boca, etc. Evidentemente, isso, além de não ser funcional, pode se tornar perigoso para elas.

Causas pelas quais uma criança com Transtorno do Espectro Autista morde

A explicação para o porquê isso ocorre tem várias vertentes. Com uma correta formação em Transtorno do Espectro Autista, você saberá que é possível que elas tenham esses comportamentos de busca sensorial em uma tentativa de “sentir a boca” ou que precisem “fazer algo” para manter seu nível de alerta, ou seja, podem estar tentando se autorregular, de encontrar o equilíbrio sensorial. A questão é que elas não estão buscando isso de forma funcional, por isso, primeiro é preciso verificar se há algo que esteja gerando ansiedade na criança. Deve-se levar em consideração o seguinte:

    • Verificar a existência de dor física: é preciso garantir que a criança não esteja mordendo porque sente dor na boca. A dor pode estar na boca ou na mandíbula. Os sinais e sintomas de dor incluem vermelhidão, salivação excessiva ou sangramento das gengivas, por isso é importante agendar uma consulta com seu pediatra ou dentista para descartar causas físicas.
    • Considerar o ambiente: o ambiente desempenha um papel importante no comportamento das crianças com autismo. Evitar circunstâncias que sejam muito difíceis para ele pode reduzir a possibilidade de que morda. Nesse sentido, a National Autistic Society recomenda que os pais diminuam os estímulos, levem seu filho a um ambiente tranquilo que lhe permita relaxar e sigam uma rotina e horário quando possível.

    Estratégias para minimizar os comportamentos de morder

      • Incentivar outros métodos de comunicação: dado que podem ter dificuldades para se comunicar, morder pode ser uma maneira de tentar obter sua atenção. Podem usar a mordida para sinalizar problemas com dor física, expressar-se emocionalmente ou estar tentando dizer que querem algo. Os pais precisam explicar por que morder não é adequado e fornecer métodos alternativos para que a criança se expresse. Esses métodos de comunicação incluem a linguagem de sinais e o Picture Exchange Communication System, que permite a uma criança com autismo iniciar a interação usando uma imagem representativa, em vez de palavras.
      • Aumentar a oportunidade sensorial: morder fornece informações sensoriais que muitas crianças com autismo precisam regularmente, por isso o melhor é oferecer às crianças itens seguros para mastigar e assim obter a entrada sensorial desejada. De acordo com a National Autistic Society, os tubos mastigáveis, feitos de materiais não tóxicos, demonstraram ter um efeito calmante e reduzir o estresse em crianças com autismo.
      • Outras alternativas de exploração: podem ser promovidas atividades que incluam soprar e/ou fazer pressão com a boca, como brincar de fazer bolhas, tocar instrumentos musicais: flautas, gaitas, etc., inflar balões, desenhar com canetas que pintam (tipo aerógrafos) quando sopradas, fazer bolhas com chicletes, brincar de soprar velas.

    O ISEP oferece o Mestrado em Transtorno do Espectro Autista para conseguir detectar precocemente o autismo e aplicar elementos de atuação que diminuam a angústia na vida diária das pessoas com TEA e suas famílias. O Mestrado em Autismo permitirá que você trabalhe com crianças com este transtorno de forma eficaz e global.

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