A síndrome pós-férias é um conceito clínico que nos indica que a pessoa padece de um conjunto de sintomas que surgem como reação a uma mudança em seu estilo de vida. Ou seja, à mudança brusca do ritmo de vida de férias para as exigências da vida profissional. O organismo precisa de um tempo para se adaptar às exigências da rotina diária e, neste processo, aparecem algumas reações físicas e psicológicas que, sendo normalmente de curta duração, costumam gerar alguns incômodos à pessoa que as padece.
Os sintomas mais relevantes que podem ser observados são fadiga excessiva, leve desmemória, sono matinal invencível, perda de atenção, dores musculares ou dor de cabeça, distúrbios gastrointestinais, leve ansiedade, tristeza, apatia, desânimo, falta de motivação ou qualquer desconforto que não era sentido há apenas alguns dias.
Quando a atividade laboral não é gratificante ou é excessivamente exigente, esses sintomas podem se prolongar e agravar com o tempo. Segundo alguns estudos, para que o trabalhador se sinta à vontade em suas tarefas diárias, é importante que uma série de características associadas à atividade laboral saudável sejam cumpridas. Entre as mais importantes destacam-se a variedade de atividades, demandas de trabalho moderadas, oportunidade de utilizar as próprias habilidades, autonomia, incerteza mínima, condições de trabalho dignas, remuneração suficiente, amizade no trabalho e uma posição socialmente valorizada. Da mesma forma, quando as condições de trabalho são caracterizadas por defeitos de organização, monotonia, falta de interesse e autonomia, posturas incômodas, horários inconvenientes, falta de comunicação, conflitos com os chefes, excesso de ruídos, manipulação de substâncias tóxicas, etc., torna-se mais difícil para a pessoa superar este período de adaptação e, portanto, o conjunto de sintomas anteriormente descritos pode aparecer.
No caso das crianças, é mais raro observar essa sintomatologia, dado que nas escolas já se procura fazer uma entrada progressiva na atividade acadêmica. No entanto, os sintomas são basicamente queixas somáticas como dor de barriga, dor de cabeça ou perda de apetite ou dificuldades para conciliar o sono. O papel dos pais é fundamental para proporcionar às crianças ritmos de sono-vigília e padrões alimentares estáveis e adaptados aos horários escolares. Se essa adaptação for feita com alguns dias de antecedência, garantimos que as crianças possam fazer a transição da rotina de férias para a escolar com total normalidade.
Não seria estranho observar que, se os pais estão sob os efeitos da síndrome de adaptação pós-férias, o ambiente familiar pode estar alterado, com maior frequência de conflitos ou dificuldades para normalizar as obrigações diárias, incluindo o cuidado dos filhos. Assim, a síndrome pós-férias pode ter um reflexo na vida familiar.
Dadas estas condições, existe uma série de recomendações que podem ajudar a melhorar a resposta da pessoa ao fim do período de férias.
Aclimatação progressiva ao novo ritmo de vida. Aceitando que imperfeições e equívocos aparecerão, já que todos estão em período de readaptação.
Programar uma agenda de trabalho equilibrada, evitando o isolamento. A conversa é muito importante e mais presente neste síndrome, se precisar entregar informações a algum colega.
Orientações nutricionais equilibradas: beber muita água; evitar bebidas excitantes, excessos de tabaco ou álcool, comida lixo, etc.
Não retornar ao trabalho de uma vez, mas fazê-lo de forma progressiva vários dias antes de retomar a atividade.
Também pode ser útil treinar alguma técnica redutora de ansiedade: auto-hipnose, yoga ou meditação, entre outras.
Òscar Asorey
Psicólogo coordenador do Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde e diretor do ISEP Clínic Reus