O movimento é algo inato nos humanos e sempre comunica algo de nós, seja de forma consciente ou inconsciente. O primeiro eu, como disse Freud, é um eu corporal. Hoje, Dia Internacional da Dança, vamos falar sobre o poder psicoterapêutico do movimento.
Com a Dança Movimento Terapia (DMT) podemos nos conectar com nossas emoções (tristeza, angústia…) e expressá-las quando estas são difíceis de reconhecer ou verbalizar. No caso de crianças que sofreram abusos, por exemplo, é difícil realizar uma terapia verbal tradicional com efetividade, dado que o trauma causado as impede de falar sobre isso. Em contrapartida, as terapias baseadas na arte, como a Dança Movimento Terapia e o jogo, ajudam os pequenos a se abrirem e se expressarem. Também pode ser que o paciente sofra de algum tipo de transtorno de linguagem e precise de outras ferramentas de expressão.
A Dança Movimento Terapia baseia-se na conexão corpo-mente e busca a integração psicofísica do indivíduo. Trabalha com o movimento e a emoção, o corpo e sua própria linguagem. Seus benefícios combatem transtornos mentais como vícios, transtornos afetivos como a depressão, transtornos de ansiedade, alimentares, transtornos de personalidade, para citar alguns exemplos, e é uma ferramenta terapêutica fantástica para tratar patologias em crianças e adolescentes como os transtornos do desenvolvimento, motores, de aprendizagem ou autismo.
É importante diferenciar entre algo que pode ser terapêutico por nos fazer sentir bem, como dançar, correr ou qualquer atividade prazerosa, do que é o uso psicoterapêutico do movimento e da dança. A terapia pela dança e movimento (DMT) requer várias condições que têm a ver com a formação do psicoterapeuta, o enquadramento e o uso do processo artístico da dança. Dadas estas condições, a DMT pode ajudar a compreender e resolver os conflitos emocionais ou psicológicos das pessoas, dado que todo movimento corporal pode gerar mudanças na psique, promovendo a saúde e o crescimento pessoal.
Uma sessão de Dança Movimento Terapia geralmente começa com uma explicação verbal dos pacientes sobre como se sentem e um encerramento verbal onde se tenta refletir sobre o ocorrido no movimento. Durante a sessão, o terapeuta, com uma atitude empática e manejando a presença terapêutica, pode sugerir movimentos ao paciente, acompanhando-o em movimento ou narrando o que está acontecendo para favorecer a consciência do paciente em relação ao que está expressando. A análise do movimento, entre outras ferramentas da DMT, permite ao terapeuta se aproximar das emoções do paciente e ver sua evolução. Pessoas com mal-estar psicoemocional podem se beneficiar do trabalho com DMT e tentar construir uma relação saudável entre o próprio corpo e a mente, bem como melhorar as formas de relacionamento com as figuras significativas de seu ambiente afetivo.
Artigo assessorado por Elena Dueso, professora do Mestrado em Terapias Artísticas e Criativas do ISEP, especialista em Dança Movimento Terapia.