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Integração das Terapias Artísticas na Educação

As Terapias Artísticas

Este artigo apresenta as Terapias Artísticas, considerando as possíveis linhas de atuação no campo educacional. As terapias artísticas carregam implicitamente uma forma diferente de conceber a saúde e a doença, pois partem de uma concepção holística do ser humano, mais positiva e integral, em linha com a definição da Organização Mundial da Saúde, na qual a doença não é tanto a ausência de saúde, mas a dificuldade ou incapacidade de acessar o próprio potencial dentro do contexto concreto em que a pessoa vive, associada a uma privação de bem-estar físico, mental e social. Em muitos países do mundo, como Estados Unidos e Reino Unido, as terapias artísticas já têm um desenvolvimento significativo como disciplinas científicas e profissionais, sustentadas por suas correspondentes formações universitárias. 

A escola precisa mudar para responder aos desafios que a sociedade lhe apresenta. A pedagogia atual confirma a necessidade de projetar modelos educacionais multidimensionais que contribuam para o desenvolvimento paralelo de todas as potencialidades do ser humano. Uma educação que aborda simultaneamente dimensões afetivas, procedimentais e interpessoais, que ao mesmo tempo produzem resultados qualitativamente superiores. Ajudar a desenvolver uma pessoa autorrealizada, como dizia Maslow: uma pessoa saudável, deveria ser o objetivo primordial da escola.

A educação deveria integrar as terapias artísticas, entendidas para o desenvolvimento e regulação emocional base do ser humano, como apoio e ajuda para a saúde mental.

A criatividade, a expressão, a arte são um recurso válido de prevenção e intervenção terapêutica na escola e fora dela.

Objetivos das Terapias Artísticas dentro da escola:

– Oferecer um espaço ativo de escuta e diálogo, livre de julgamento.
– Reduzir a ansiedade e ajudar as crianças a se sentirem mais confortáveis no ambiente escolar.
– Trabalhar processos cognitivos básicos como a memória, a atenção.
– Ajudar a criança a organizar suas descrições e narrações.
– Ajudar as crianças a se expressarem muito melhor, às vezes, do que se o fizessem verbalmente.
– Expressar sentimentos difíceis de falar.
– Aumentar a autoestima e a confiança.
– Desenvolver habilidades adaptativas saudáveis.
– Identificar os sentimentos e bloqueios de expressões emocionais e de crescimento.
– Oferecer novas vias de comunicação.
– Potencializar a capacidade criativa.
– Respeitar e propiciar a livre expressão.
– Facilitar o autoconhecimento e a reflexão.
– Fortalecer e reafirmar a identidade e a autoestima.

Um aspecto importante a considerar dentro do âmbito educacional é a contribuição da terapia artística para o crescimento pessoal e desenvolvimento da personalidade.

Educar significa contribuir para o crescimento pessoal e desenvolvimento da personalidade. Segundo Romero (2002), libertada dos espartilhos de outras épocas, a psicologia da personalidade atende cada vez mais à dimensão emocional do ser humano e aos processos relacionados com o eu, que parecem desempenhar um papel crucial na integração da personalidade e na regulação do comportamento. Levando em conta, sobretudo, que a terapia artística é uma disciplina que capacita para a ajuda humana utilizando os meios artísticos, as imagens, o processo criativo e as respostas da pessoa a esses produtos criados. Através do processo criador, reflete-se sobre o desenvolvimento do indivíduo, seus conflitos pessoais e interesses.

Quero que sejam consideradas as possibilidades que a terapia artística tem como elemento favorecedor do desenvolvimento integral do aluno, para fomentar seu uso na escola. Sua prática facilitará o trabalho do corpo docente, o clima na escola e, sobretudo, o desenvolvimento do aluno.

A sociedade em geral será favorecida, já que é ela quem termina se beneficiando do tipo de pessoas que nela se desenvolvem, mas sobretudo porque a escola e o corpo docente terão na terapia artística uma ajuda para criar essa escola humanista onde a cultura é recriada e pessoas saudáveis, conscientes, criativas e livres são formadas. E, portanto, um lugar para viver e conviver assim.

Acima de tudo, os alunos serão beneficiados, já que se a escola adotar a prática da terapia artística como habitual, poderão dispor de outros meios para se desenvolver, ajustados aos seus interesses e necessidades. A integração da terapia artística no sistema educacional deve ser a tarefa do século XIX dos terapeutas artísticos.

As terapias artísticas têm uma dimensão muito ampla em relação à influência que podem ter no ser humano em todos os âmbitos que abrangem: cultural, histórico, estético, educacional, intelectual, criativo, antropológico e muitas outras conexões poderiam ser buscadas, mas minha intenção é focar em sua capacidade de comunicar, expressar e, portanto, “emocionar”. As terapias artísticas são a linguagem das emoções, “a arte é a expressão emocional da personalidade”.

A escola deveria ter como eixo central o jogo, a criação e a arte para que os alunos, de forma natural, aprendessem e se relacionassem com os demais. É por isso que as terapias artísticas são uma forma de intervenção que cobre esses três elementos citados que servem para o desenvolvimento do indivíduo em nível pessoal e social.

O desenvolvimento das competências emocionais dentro da escola deve ser o objetivo principal a ser tratado através das terapias artísticas, alcançando uma identidade integrada para a criança: corpo, afeto, mente.

O desenvolvimento das competências emocionais é concebido como um processo educativo, contínuo e permanente, que visa potencializar o desenvolvimento das competências emocionais como o elemento essencial do desenvolvimento integral das pessoas, com o objetivo de capacitá-las para a vida. Tudo isso tem como finalidade aumentar o bem-estar pessoal e social. É, portanto, uma educação para a vida, o que supõe um processo contínuo e permanente que deve estar presente em todo o currículo acadêmico e na formação permanente de todo indivíduo.

Mediante o aprendizado das competências emocionais, os alunos não apenas ampliam seu vocabulário emocional, mas também aprendem a empregar estratégias de enfrentamento diante de situações emocionalmente difíceis, alcançando o autocontrole emocional, de modo que gerenciem adequadamente as emoções e impulsos conflitantes (Vallés, 2000).

Os objetivos que se buscam com a implantação de competências emocionais através das terapias artísticas na escola seriam os seguintes:

– Detectar casos de baixo desempenho na área emocional.
– Conhecer quais são as emoções e reconhecê-las nos outros.
– Classificá-las: sentimentos, estados de espírito.
– Modular e gerenciar a emocionalidade.
– Desenvolver a tolerância às frustrações diárias.
– Prevenir o consumo de drogas e outras condutas de risco.
– Desenvolver a resiliência.
– Adotar uma atitude positiva diante da vida.

– Prevenir conflitos interpessoais.
– Melhorar a qualidade de vida escolar.

Ajudar as crianças a desenvolver habilidades emocionais afetará positivamente sua idade e bem-estar a longo prazo. Deve-se procurar educar emocionalmente as crianças nas escolas a fim de potencializar seu desenvolvimento integral, e isso pode ser possível através da integração das terapias artísticas no sistema educacional.

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