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Tratamentos para educação especial: um olhar diferente sobre a deficiência

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Um depoimento muito especial

Do ISEP, agradecemos muito a Mayka Gómez por este texto tão pessoal e positivo que ela compartilha em nosso blog. Mayka é aluna do Mestrado em Intervenção em Dificuldades de Aprendizagem e aproveitou a oportunidade que oferecemos aos nossos alunos para trazer a vocês um olhar diferente sobre a deficiência.

Se você quiser compartilhar seus pensamentos e experiências no setor da educação especial, entre em contato conosco. Deixamos vocês com a experiência próxima e pessoal de Mayka.

Um dia com famílias e pessoas com necessidades especiais

Entre castelos de areia, vemos Sergio, um menino de 8 anos, rindo com seus colegas de uma associação de pessoas com deficiência em uma tarde ensolarada de junho. Estamos na Gran Playa de Santa Pola, com dez meninos e meninas, aprendendo novos jogos em um ambiente equipado com rampas, área de sombra com deck de madeira, casinha para guardar material, cadeiras e muletas anfíbias, guindaste de transferência, área balizada, etc.

Sergio tem Síndrome de Down. Ele é muito sociável e divertido, por isso, não demora nada para nos apresentar seus amigos. Observamos que, com a supressão de barreiras arquitetônicas e materiais adaptados, todos podem desfrutar de um banho refrescante, apesar de ter paralisia cerebral, espinha bífida ou outras síndromes que dificultam sua mobilidade em nossa sociedade atual.

Paula, vice-presidente da associação e mãe de Sergio, compartilha conosco, voluntárias de uma ONG, o lanche organizado para todos os colegas do grupo, e nos explica os motivos de sua participação tão ativa há um ano nesta associação.

Enfrentar a notícia de ter um filho com Síndrome de Down

“Senti muitas dúvidas e medos junto com meu parceiro quando nos disseram o diagnóstico de Sergio. Pensava que o processo de adaptação seria mais fácil, por ser meu segundo filho. No entanto, naquele momento me vi sobrecarregada, vivi um estado de profunda tristeza ao perceber que as coisas seriam muito diferentes das sonhadas. A incerteza e a falta de informação, unida aos problemas de saúde que Sergio tinha, fizeram com que me sentisse perdida. Pouco a pouco fui encontrando pessoas que me ensinariam um novo caminho a seguir e me convidaram a percorrê-lo com elas. Agora queremos criar mais recursos para ter mais qualidade de vida. Sergio, quando bebê, esteve em atenção precoce com diferentes profissionais: fisioterapeutas, psicólogos e fonoaudiólogos até a idade de seis anos”.

Iván, pai de Sergio, nos explica o funcionamento da Associação, dando detalhes sobre as oficinas de psicomotricidade, musicoterapia, fisioterapia, oficinas para o desenvolvimento da autonomia, habilidades sociais, leitura e escrita, fonoaudiologia, jardinagem e as atividades que favorecem a inserção laboral, em coordenação com diferentes empresas do município.

Lá, eles realizam uma “Escola de Pais” para transmitir informações sobre as diferentes deficiências, tratamentos, serviços e ajudas disponíveis, tanto de material quanto de benefícios econômicos.

Também há oficinas de apoio emocional, tanto individual quanto em grupo, nas quais são fornecidas técnicas para o manejo de situações de estresse e conflito, que ajudam a diminuir sentimentos de culpa e preocupações com o futuro. Nelas, os pais também estarão trabalhando habilidades sociais e de comunicação, enquanto realizam oficinas de mindfulness, psicoeducação, atividades de lazer e tempo livre, favorecendo o descanso familiar e a comunicação entre pais de usuários.

A assistente social da associação, em coordenação com os serviços sociais, fornece informações sobre os recursos existentes. Entre eles, encontra-se a Lei de Promoção da Autonomia Pessoal e Atenção a Pessoas em Situação de Dependência, conhecida como “Lei da Dependência“. Essa legislação está vinculada a pessoas que, por perda de autonomia física, mental, intelectual, sensorial ou deficiência mental; necessitam de cuidados de outras pessoas para realizar atividades da vida diária que as ajudem a mitigar sua falta de autonomia pessoal. A psicóloga da associação também está em coordenação com os tutores das crianças, alunos das diferentes escolas do município.

A atenção à diversidade na aprendizagem

Por outro lado, esta assistente social nos mostra um tríptico com informações interessantes sobre uma nova visão dentro da aprendizagem em centros regulares, que visa a uma “educação para todos e com todos”. Isso me lembra o que aprendi em meu módulo de atenção à diversidade, com Jose Luis Soler, e que quero compartilhar com vocês:

Diferenças entre a escola integradora e a escola inclusiva*

Escola Integradora

Centrada no diagnóstico, dirigida à educação especial, baseada em princípios de igualdade e competição, a Inserção é parcial e condicionada, exige transformações superficiais, centra-se no aluno (é alocado em programas específicos), tende a disfarçar as limitações para aumentar a possibilidade de Inserção.

Escola Inclusiva

Centrada na resolução colaborativa de problemas, dirigida à educação em geral (todos os alunos), baseada em princípios de equidade, cooperação e solidariedade (valorização das diferenças como oportunidades de enriquecimento da sociedade), a inserção é total e incondicional, exige rupturas nos sistemas (transformações profundas), centra-se na sala de aula (apoio na sala de aula regular), não disfarça as limitações, porque são reais.

É uma meta a ser alcançada tornar realidade uma escola inclusiva, na qual cada centro escolar se encontra a uma certa distância, mais ou menos, em função das condições que possui em seu projeto.

As condições para uma escola inclusiva, de acordo com um trabalho de pesquisa realizado na Catalunha no âmbito do Projeto UNESCO (1995), especificamente da experiência de uma das escolas participantes do referido projeto (Faro e Vilageliu 2000), incluem os seguintes pontos (Giné 1998).

Trabalho colaborativo entre professores: intervenção conjunta de dois professores em sala de aula, planejamento conjunto das unidades de programação, colaboração conjunta com os alunos.

Estratégias de ensino-aprendizagem: práticas eficazes, trabalho colaborativo e cooperativo, organização da sala de aula, otimização de recursos.

Atenção à diversidade a partir do currículo: melhoria da formação de professores nesta área, elaboração de objetivos compartilhados e definidos, definição de critérios do Centro no desenvolvimento do currículo, acordo com critérios de avaliação.

Organização interna: autoavaliação e avaliação interna, estrutura organizacional que favorece a coesão, potencializar o intercâmbio entre professores, distribuição de horários coerentes com os objetivos.

Colaboração escola-família: fortalecimento da comunicação e das vias de participação dos pais na tomada de decisões, desenvolvimento de contatos formais e informais.

Transformação dos serviços/recursos destinados à educação especial: para todo o Centro focados no currículo, o professor de apoio, psicopedagogo envolvido na estrutura do centro, a transformação dos Centros de Educação Especial em Centros de recursos para a educação inclusiva.

Para colocar tudo isso em prática, podemos estabelecer coordenação com centros e pessoas que já fizeram contribuições para tornar a inclusão educacional uma realidade. O “Aprendizagem baseada em projetos através das Inteligências Múltiplas“, desenvolvido por Coral Elizondo, seria um claro exemplo de boas práticas.

Agora que o dia está terminando, concluo que a experiência foi realmente enriquecedora, enquanto nos despedimos de todos os meninos e membros da associação porque todos já estão no veículo adaptado de volta para casa. Ficamos convidadas a visitar a Associação um dia e trocar experiências que espero poder compartilhar com vocês.

* Fonte: Arnaiz, 2003; Moriña, 2002.

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