Ao realizar uma avaliação psicopedagógica, o objetivo é conhecer as dificuldades, habilidades e estabelecer uma linha de base do funcionamento do aluno e sua aprendizagem.
Por que realizar uma avaliação psicopedagógica?
Se esta avaliação é para descobrir o que está acontecendo com nosso aluno “por que sua aprendizagem não está conforme o esperado?”. Deveríamos analisar quais aspectos cognitivos fundamentais na aprendizagem da leitura deveriam ser levados em conta nessa avaliação que nos permitisse emitir um diagnóstico.
Hoje em dia, a maioria dos estudos sobre dislexia concorda que a estimativa global (quociente intelectual) e detalhada (memória, atenção, abstração, raciocínio numérico, verbal etc.) da capacidade intelectual é especialmente relevante para o diagnóstico do transtorno de aprendizagem DSM-5 (DISLEXIA).
Vantagens de aplicar testes de inteligência a possíveis Disléxicos
As principais vantagens que se derivam de aplicar os testes de inteligência aos nossos alunos suscetíveis de serem diagnosticados com dislexia são:
- A partir do quociente intelectual, poder excluir a lentidão de aprendizagem ou baixa inteligência como prováveis causas de fracasso escolar.
- Fixar um perfil diagnóstico com base no teste de inteligência.
- Identificar áreas deficientes para facilitar a elaboração da intervenção específica.
A escala de inteligência Wechsler para crianças (WISC-V) oferece pontuações dos índices primários, que refletem o funcionamento intelectual em determinadas áreas cognitivas (compreensão verbal, visuoespacial, raciocínio fluido, memória de trabalho e velocidade de processamento), uma pontuação composta que representa a aptidão intelectual geral (quociente intelectual).
Que perfil pode ser associado a um diagnóstico disléxico?
Segundo as provas WISC-V, as pontuações baixas nas seguintes provas:
- MEMÓRIA DE TRABALHO: Mede a aptidão do aluno para registrar, manter e manipular informação visual e auditiva.
- VELOCIDADE DE PROCESSAMENTO. Mede a velocidade e a precisão da identificação visual, a tomada de decisões e a implementação destas.
O desempenho na velocidade de processamento relaciona-se com o rastreamento visual, a discriminação visual, a memória visual de curto prazo e a concentração.
Estes dois aspectos cognitivos da aprendizagem em geral e da leitura em particular, são importantes para a aquisição e o desenvolvimento normal da fluência de leitura. E, portanto, devem ser levados em conta tanto para o diagnóstico da dislexia quanto para fazer uma ampla e completa intervenção, já que qual é o papel da memória de trabalho ou memória operacional na aprendizagem da leitura? É um armazém onde a informação não se destrói por causa da chegada do material procedente de novas fixações oculares, ou seja, são realizadas análises categoriais do estímulo, e são armazenadas como traços linguísticos. Se a “b” foi identificada como uma letra, é porque foi analisada mediante o processo de identificação de letras contrastando-as com as representações de letras que o leitor tem em sua memória.
A aprendizagem da leitura
A aprendizagem da leitura associa-se tanto com o desenvolvimento de habilidades linguísticas quanto não linguísticas; a relação dos processos cognitivos como memória de trabalho e velocidade de processamento é evidente, mas falta muito por estudar e investigar.
A velocidade na leitura correlaciona-se especialmente com habilidades atencionais, enquanto a compreensão na leitura correlaciona-se mais com memória verbal.
As dificuldades na memória de trabalho geralmente estão unidas a um processamento auditivo pobre ou deficiente; as crianças que não podem seguir instruções longas, usualmente precisam que as instruções lhes sejam dadas passo a passo.
O memorizar as combinações de letras com o som, ou seja, conversão grafema – fonema, requer da memória operacional (memória de trabalho), que combine esses sons com seus grafemas correspondentes para que haja uma aprendizagem da leitura.