Atualmente, o câncer é uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo. Trata-se de uma doença grave e complexa, na qual estão implicadas inúmeras variáveis, que afetam não somente o nível físico, mas também o nível psicossocial.
Como abordar o Câncer do ponto de vista psicológico
Além disso, é uma das doenças que provoca maior impacto a nível pessoal, tanto ao próprio paciente quanto aos familiares, não só no momento do diagnóstico, mas durante a vivência do Câncer, já que implica a ruptura de diferentes esferas de sua vida. É intrínseco ao Câncer, sintomas físicos, sintomas psicoemocionais como ansiedade, raiva, depressão, culpa e medo do abandono; necessidades espirituais de perdão, de paz interior etc., assim como demandas sociais (Sanz, 2004). No entanto, as variáveis mais estudadas são a ansiedade, a depressão e os transtornos adaptativos (Martínez et al., 2007) que todos eles sofrem.
O que os profissionais podem fazer?
Para conseguir uma melhoria na qualidade de vida do paciente, é imprescindível fazê-lo a partir de uma perspectiva assistencial. Tal como consta na Lei 41/2002 sobre os “Direitos de informação concernentes à saúde e à autonomia do paciente, e a documentação clínica” todos os pacientes têm o direito de receber informação em relação à sua saúde. No entanto, apesar do marco legal e da consciência cada vez mais presente entre os profissionais de saúde, a realidade é que, hoje, na prática diária continuam a surgir múltiplos problemas para cobrir as necessidades do paciente. Nesse sentido, o compromisso e nível de envolvimento por parte dos profissionais de saúde é cada vez maior, visto que a comunicação se revela o pilar fundamental para a construção de uma boa relação entre o pessoal sanitário e os pacientes.
Comunicação entre o profissional oncológico e o paciente
Deve-se considerar que a comunicação do diagnóstico de Câncer é um momento muito delicado e exige que o pessoal sanitário avalie e atenda de maneira totalmente individualizada, buscando cobrir as necessidades de cada paciente.
O diagnóstico de câncer é marcado por diversas variáveis de tipo biológico, psicológico e social, repercutindo na pessoa afetada e ao seu redor. Essa notícia devastadora representa um antes e depois na vida do paciente, assim como na de seus familiares. Nesse sentido, o tratamento do Câncer deve ser orientado para uma perspectiva integral e holística, considerando as necessidades psicológicas e sociais além das biomédicas.
Pacientes com Câncer, benefícios da comunicação com perspectiva assistencial
- Para os pacientes com Câncer:
- Apresentam maior participação nas decisões (Mira, 2004)
- Têm melhor adesão aos tratamentos (Labrador e Bara, 2004)
- Melhor adaptação psicológica e social (Arrighi, Jovell, Navarro, 2010)
- Maior cumprimento das expectativas dos pacientes (Robbins, et al., 1993)
Para o profissional de oncologia, estabelecer uma comunicação eficaz significa:
- Redução dos níveis de estresse laboral.
- Facilitação do manejo dos sintomas, aumentando sua satisfação.
- Diminuição da necessidade de prescrição de fármacos não oncológicos.
O Câncer, não apenas uma doença física
No entanto, com a premissa de priorizar a vida, e a educação primária nas universidades por um conhecimento científico, a comunicação por parte dos profissionais de saúde tende a ser direcionada para a liberação da dor física, abandonando as necessidades psicológicas presentes de maneira inerente à doença.
O que é evidente é que falar sobre as preocupações, os medos, as inseguranças é tão necessário quanto explorar os sintomas físicos, visto que a exploração de tais variáveis permite ao profissional obter um perfil global da pessoa situado em um quadro que reconhece a percepção do paciente frente à doença e às suas necessidades (Cibanal, Sánchez e Balsa, 2010). Isso só é possível mediante uma abordagem holística do Câncer, que permita responder às múltiplas necessidades dos pacientes (físicas, emocionais, sociais e espirituais) com um objetivo conciso: melhorar a qualidade de vida do paciente. A única maneira de conhecer essas necessidades é através da atuação do profissional, tendo que estar centrada necessariamente na escuta ativa, na compreensão, na sensibilidade e na solidariedade (Povedano-Jiménez, Catalán-Matamoros, e Granados-Gámez, 2016).