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Integrando a criança com TDAH na sala de aula do ensino fundamental: uma aprendizagem neurodidática

A integração do estudante com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ou TDAH na sala de aula do ensino fundamental, implica hoje em dia um processo de conscientização por parte do professor correspondente ao nível, em dois aspectos fundamentais:

1.- Conhecimentos de causa e efeito a nível neuropsicológico sobre o TDAH e suas implicações no desenvolvimento comportamental da criança dentro de seu contexto escolar, social e familiar.

2.- Dominar competências didáticas e pedagógicas de manejo e aplicação nas diversas estratégias-chave da neurodidática em benefício dos processos de ensino e aprendizagem realizados na sala de aula do nível de educação fundamental em crianças com TDAH.

TDAH: O Início

Em primeiro plano, é necessário abordar os conhecimentos de causa e efeito a nível neuropsicológico sobre o TDAH e suas implicações no desenvolvimento comportamental da criança, além de suas incidências no desenvolvimento escolar, social e familiar. Neste âmbito, é relevante que o professor possa conhecer a origem, concepção e características do TDAH para poder planejar, executar e avaliar pedagogicamente, ações sobre realidades concretas na sala de aula.

Em primeiro lugar, é necessário definir o TDAH, o qual constitui um transtorno de tipo IV no conjunto de patologias que fazem parte das dificuldades de aprendizagem; o que torna o trabalho mais árduo e difícil para o professor, se não dominar as ferramentas necessárias para sua abordagem e integração. O TDAH, “caracteriza-se por uma série de disfunções cognitivas ou neuropsicológicas que, juntamente com as manifestações comportamentais, produzem um impacto generalizado em distintas áreas do desenvolvimento” (Romero e Lavigne 2005) onde, o comportamento da criança, mostra respostas inadequadas e, da mesma forma, obtém pouca compreensão por parte de quem a rodeia. No entanto, com terapia psicoeducativa, a gravidade do problema diminui significativamente.

Da mesma forma, é importante acrescentar que para determinar um diagnóstico de TDAH devem estar presentes, pelo menos 6 critérios de desatenção, três de hiperatividade e um de impulsividade. Os mesmos devem aparecer antes dos 7 anos de idade e em diferentes contextos ou cenários.

TDAH en el aula de primaria

Agora bem, talvez muitos possam se perguntar qual é a origem neuropsicológica que produz o TDAH? Para responder a tal pergunta, é necessário se situar na neurobiologia porque “a etiologia do TDAH é neurobiológica do ser humano com alta incidência em fatores genéticos e neurobiológicos” (Romero e Lavigne 2005 p. 132). Ou seja, que os fatores biológicos perinatais e socioeducativos, têm efeitos importantes na “patogênese”, no desenvolvimento comportamental da criança e na evolução da síndrome.

Nesse sentido e no que se refere à sua precedência genética e biológica, no cérebro da criança pôde-se determinar, de acordo com as distintas meta-análises no TDAH, a identificação de alguns genes que poderiam contribuir para sua suscetibilidade e o achado de uma “imaturidade nos sistemas de neurotransmissão, especialmente nos circuitos dopaminérgicos e noradrenérgicos e, em menor medida, nos serotoninérgicos” (Cantallop 2015 p. 133).

Com os erros mencionados, a consequência é que existe menos dopamina nos processos de “sinapse cerebral”, correlacionados com os sistemas de recompensa e motivação, além da existência de baixos níveis de noradrenalina, o que incide no desempenho das funções executivas e menores níveis de serotonina, afetando de forma importante os estados de humor na criança.

Portanto, já conhecendo a origem neuropsicológica do TDAH, também é necessário conhecer alguns dos fatores externos que podem desenvolver tal transtorno: (1) a contaminação por chumbo pode produzir distrações, hiperatividade e falta de atenção; (2) o consumo de nicotina ou álcool durante a gravidez; (3) o baixo peso ao nascer, a má alimentação da mãe e (4) a eclâmpsia, o estresse fetal e as hemorragias antes da gravidez. Além disso, podem-se adicionar fatores psicofamiliares como famílias numerosas, baixo nível econômico, adoções e famílias disfuncionais, entre outros.

Melhorando o desenvolvimento comportamental da criança com TDAH na sala de aula do ensino fundamental

Já abordado o desenvolvimento do TDAH na sala de aula do ensino fundamental por parte do aluno, também é importante que o professor tenha conhecimento sobre algumas estratégias de terapias psicopedagógicas, fundamentadas na neurodidática, as quais podem servir de grande ajuda ao momento de desenvolver uma melhor integração na sala de aula do ensino fundamental em situações concretas, onde se observem déficits no planejamento, abstração, resolução de problemas, ordenamento temporal de estímulos, planejamento, formação de conceitos, desenvolvimento e implementação de estratégias metacognitivas.

Pelo exposto, sugere-se trabalhar com a criança com TDAH, de acordo com as deficiências e desenvolvimento comportamental apresentados pela mesma. A esse respeito, Fernández A, Caraballo e Venturi J. (2021), estabelecem os componentes executivos básicos, os quais devem ser intervencionados com estratégias neurodidáticas:

A alternância que implica a capacidade de mudar de maneira flexível entre várias operações mentais ou esquemas. Nesta função, as atividades que estimulam a neuroplasticidade cerebral, apresentando cenários de aprendizagem que permitam a mudança de conhecimentos, contextos e situações, fortalecem o processo sináptico no cérebro da criança.

A permanência e organização na memória de trabalho, para esta função executiva, pode-se trabalhar com a realização de organizadores gráficos, especialmente a construção de mapas mentais, sendo uma ferramenta divertida e prática para os estudantes de qualquer idade. A utilização da mencionada estratégia é conveniente para as crianças com TDAH, porque as ajuda a planejar, organizar e memorizar pautas de trabalho.

TDAH en el aula de primaria_2

De igual modo, uma estratégia excelente para a flexibilidade cognitiva, a qual “é a capacidade de alternar entre diferentes critérios de atuação, conjuntos mentais ou operações de acordo com as exigências mutáveis do contexto” (Cáceres e Vera, 2019 p.22), é o uso das atividades aplicadas em cenários reais, que permitem investigar, experimentar e indagar, estimulando o pensamento criativo e a tomada de decisões de forma imprevista, assim como a resolução de problemas de forma organizada.

Com a mencionada estratégia, aborda-se imediatamente a exploração e o feedback, o que constituiria outra estratégia-chave da neurodidática, para estimular a capacidade de autossuficiência, autogestão e autonomia no desempenho e desenvolvimento de atividades escolares, assim como adaptar-se a novas situações, esquemas e aprendizagens.

A este conjunto de estratégias podem-se adicionar os “neurônios-espelho”. Que melhor estratégia neuroeducativa do que o exemplo do professor e o de seus próprios pares, porque demonstra, sob a observação de certas condutas planejadas, a reciprocidade e tática dentro da cotidianidade do contexto escolar.

Para culminar, pode-se sugerir a estimulação e desenvolvimento da “capacidade estratégica e cooperação” através do design de estratégias didáticas que impliquem movimento e que, embora talvez dentro da sala de aula os espaços sejam limitados, podem-se adaptar certas atividades de jogos em equipe, que impliquem movimentos definidos sem velocidade. Tais estratégias são excelentes para a oxigenação do cérebro, assim como para a ativação do estudante (ibid).

Em suma, no contexto escolar a neuroplasticidade cerebral implica que as condutas ao longo da vida podem ser otimizadas, incluindo os transtornos inerentes ao processo de aprendizagem e muito especialmente o TDAH, o qual não implica uma exceção para melhorar-se através de psicoterapia educativa. Claro está, tais estratégias aplicadas pelo professor não terão maior sucesso se não incluírem as ferramentas emocionais, que permitam o equilíbrio e desenvolvimento do comportamento da criança de forma integral e coesa, com respostas positivas, estimuladoras e flexíveis ao comportamento humano.

 

Bibliografia

Cáceres L, y Vera A, (2019) Chaves da Neuroeducação Melhorar os Processos de Aprendizagem Copyright © Todos os direitos reservados de autor Luz Dary Cáceres y Alberto Vera Conheça o segredo por trás da Neuroeducação”

Cantallops A, (2015). Neuropsicologia Pediátrica. Casa del libro. https://www.casadellibro.com/libro-neuropsicologia-pediatrica/9788490771938/2621448

Fernández A, Caraballo y Venturi J. (2021). Dificuldades de aprendizagem. Uma abordagem multidisciplinar. (https://www.fhuce.edu.uy/index.php/ciencias-de-la-educacion/publicaciones-educacion/8144-libro-dificultades-ante-el-aprendizaje-un-abordaje-multidisciplinario-ana-maria-fernandez-caraballo-y-joaquin-venturni-corbellini-direccion

Romero y Lavigne (2005). Materiais para a Prática Orientadora Volume Nº 1 CONSELHERIA DE EDUCAÇÃO. https://www.uma.es/media/files/LIBRO_I.pdf

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