Universidad ISEP

Como Proteger a Saúde Mental dos Profissionais de Saúde? Estratégias e Dicas Chave

Recentemente, Claudia Yaya, professora do Mestrado em Psicologia Clínica na Universidade ISEP, conversou com Alexandra Figueroa, jornalista do meio El Espejo, sobre os desafios de saúde mental enfrentados pelos trabalhadores do setor de saúde. Nesta entrevista, Yaya destacou a necessidade de uma mudança profunda na forma como as instituições de saúde e a sociedade percebem e apoiam esses profissionais, que, como qualquer ser humano, enfrentam desgaste emocional e psicológico e estão expostos a condições extremas de trabalho para cumprir suas funções de forma saudável.

A Realidade por Trás do Termo “Heróis”

Durante a pandemia de COVID-19, os trabalhadores da saúde foram reconhecidos como “heróis” por seu trabalho constante e sua disposição em momentos de crise. No entanto, Claudia Yaya, especialista em saúde mental, aponta que essa etiqueta pode ser contraproducente, pois encobre a realidade de que esses profissionais também precisam de ajuda. Para Yaya, mais do que heróis, os trabalhadores da saúde são pessoas que necessitam de apoio psicológico e condições de trabalho que não os levem ao limite.

A professora explica que o conceito de heroicidade pode fazer com que esses profissionais não busquem apoio quando precisam, temendo que isso seja visto como um sinal de fraqueza. Yaya assegura que a mudança começa com uma “psicoeducação” que ajude os profissionais a entender que o autocuidado é fundamental para sua saúde mental e para oferecer atendimento de qualidade aos pacientes.

Fatores de Risco: Síndrome de Burnout, Estresse Pós-Traumático e Estigmatização

Trabalhar em ambientes de alta pressão, enfrentando situações de vida ou morte e cumprindo longas jornadas são fatores que afetam diretamente a saúde mental do pessoal de saúde, segundo Yaya. Esses fatores podem desencadear problemas como a síndrome de burnout, o estresse pós-traumático e a síndrome vicária. Esta última se refere à tendência de experimentar a dor dos pacientes de forma tão próxima que impacta negativamente a vida do profissional.

Outro fator chave é o estigma associado à busca por ajuda psicológica. Como Yaya destaca, “a formação tão exigente” que os profissionais de saúde recebem os leva a pensar que devem saber tudo e lidar com tudo sozinhos. Isso faz com que muitos deles vejam a busca por apoio emocional como algo que diminui seu profissionalismo.

Criar um Ambiente de Trabalho Saudável

Para melhorar o bem-estar dos trabalhadores da saúde, Yaya sugere que as instituições devem prestar atenção às condições de trabalho. É necessário garantir que os turnos não sejam excessivamente longos e proporcionar espaços de descanso adequados. Segundo Yaya, é crucial que os diretores compreendam a importância de oferecer aos trabalhadores um ambiente saudável que lhes permita gerenciar o estresse laboral.

“É importante que chefes e diretores compreendam a necessidade de lhes dar espaços de descanso”, explica Yaya, sublinhando que um ambiente de trabalho adequado pode reduzir consideravelmente o risco de esgotamento mental. Instituir áreas de descanso e ajustar a rotação de turnos para evitar a sobrecarga são passos fundamentais para proteger a saúde mental dos profissionais.

Espaços de Escuta: A Importância de um Psicólogo Organizacional

Além de melhorar as condições de trabalho, Yaya ressalta a necessidade de que as instituições contem com um psicólogo organizacional que possa oferecer apoio e orientação constante. Este tipo de profissional pode ajudar os trabalhadores a reconhecer os sintomas de estresse ou esgotamento precoce e fornecer-lhes ferramentas para seu manejo. A presença de um psicólogo organizacional também abre a porta para a criação de espaços de escuta e apoio no local de trabalho.

Práticas de Autocuidado para os Trabalhadores da Saúde

Yaya aponta que, além do apoio institucional, os próprios trabalhadores podem tomar medidas de autocuidado para melhorar seu bem-estar. Essas práticas incluem desde manter uma alimentação balanceada até dormir bem, fazer exercícios e buscar ajuda emocional quando necessário. Para a professora, desenvolver o autocuidado é essencial, não apenas para o bem-estar pessoal de cada profissional, mas também porque os benefícios se refletem no ambiente de trabalho e na qualidade do serviço que prestam aos pacientes.

Rumo a uma Mudança na Cultura Organizacional

A entrevista conclui com um apelo às instituições de saúde para que adotem uma mudança cultural. Em vez de ver os trabalhadores como recursos inesgotáveis, é fundamental reconhecer sua humanidade e a necessidade de cuidar e apoiá-los. “Precisamos que eles sejam cuidados, que se cuidem, para que realmente possam cuidar de nós, os demais“, afirmou Yaya.

Ao implementar estratégias que apoiem o bem-estar mental e físico desses profissionais, não apenas se contribui para sua saúde pessoal, mas também se garante um sistema de saúde mais forte e capaz de enfrentar os desafios futuros.

Conclusão

A conversa com Claudia Yaya, publicada originalmente na Revista Espejo, nos lembra que cuidar da saúde mental dos trabalhadores da saúde é essencial para uma sociedade saudável. Através de mudanças no ambiente de trabalho, apoio psicológico e fomento do autocuidado, podemos proteger aqueles que dedicam suas vidas a cuidar dos outros.

Para ler o artigo original publicado na Revista Espejo, você pode clicar aqui.

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