Vícios e recaídas são temas complexos; não é fácil saber a razão pela qual uma pessoa escolhe consumir drogas, mas, hoje em dia, graças à evolução da ciência e da medicina, sabemos o que ocorre dentro do cérebro de quem, após o consumo de drogas, vive um processo de recaída. Se você quer saber mais sobre a síndrome da recaída, neste artigo terá toda a informação que precisa.
O vício como doença crônica apresenta uma tendência a recaídas. As recaídas são uma realidade e a melhor forma de preveni-las é aceitando o risco e estando ciente da chamada síndrome da recaída.
Recaída em vícios e seu processo
Uma recaída é definida como um retorno aos padrões de comportamento e pensamento típicos do vício ativo, que já haviam sido superados (abstinência) e que levam ao retorno do uso da substância, voltando ao estado anterior à recuperação. As recaídas podem fazer parte do processo de recuperação, não tendo que necessariamente significar um fracasso no tratamento, mas sim um aprendizado, para que a pessoa tome consciência de que há algo que não está fazendo bem. Abandonar um vício implica mudar comportamentos profundamente enraizados, por isso, muitas vezes, é fácil voltar a eles. Habitualmente, o processo de recaída é formado por decisões arriscadas que o indivíduo toma, e que, conectadas umas às outras, constroem o caminho da recaída. Essas decisões, chamadas “de risco relativo”, parecem pouco importantes, mas seu efeito é cumulativo e vão levando a pessoa a um ponto impossível de resistir, onde o uso das drogas será ineludível, já que as margens de suscetibilidade foram ultrapassadas.
Cabe destacar que existe uma linha imaginária ou frequentemente conhecida como “linha de não retorno”, após a qual não é possível deter a conduta de busca de substâncias e, portanto, seu uso é iminente. No entanto, na zona de transição entre a linha de não retorno e o uso, a recaída é principalmente comportamental, sem que o uso tenha ocorrido ainda.
Quais sintomas um psicoterapeuta deve considerar em pacientes com vícios
Entre os sintomas da síndrome da recaída em vícios, destacam-se:
– Retorno ao pensamento obsessivo em relação ao uso de substâncias.
– Insônia e inquietação, bem como pensamentos associados à imagem física e ao dinheiro
– Isolamento ou perda de contato com outras pessoas.
– Aumento da irritabilidade e/ou rancor, principalmente com seu círculo próximo
– Sentimentos de depressão e ansiedade flutuantes que não se relacionam obrigatoriamente com nenhum acontecimento externo.
– Comportamento desafiador em relação ao plano de recuperação, que se evidencia no fato de a pessoa retornar a lugares de risco, contatar pessoas relacionadas ao uso.
– Negligenciar o plano de recuperação, deixando de comparecer a reuniões, faltando às consultas com o terapeuta, descumprindo o plano de rotina diária, etc.
– Discussões frequentes em casa e com a família.
– Atitude defensiva ao falar sobre seu tratamento e recuperação
O paradoxo mais evidente na recaída é que quanto mais agudos são os sintomas previamente mencionados, menor é a capacidade da pessoa de aceitar críticas/comentários/sugestões das pessoas ao seu redor.
Nesse sentido, os estudos científicos sobre vícios deixaram muito claro que o estresse, os elementos associados à experiência com drogas e a exposição às mesmas são os gatilhos mais comuns de uma recaída. No entanto, ainda estão sendo desenvolvidos medicamentos para interferir com esses gatilhos a fim de ajudar os pacientes a manter a recuperação.
O ISEP inclui formação específica em vícios em seu Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde, tanto em vícios clássicos como drogodependência ou alcoolismo, quanto em vício em novas tecnologias.