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Integração Sensorial: a importância de sentir

Poucos profissionais de saúde conhecem o uso e os benefícios da técnica de Integração Sensorial, e não é para menos, pois foi descrita em 1972. Sua criadora, Jean Ayres, terapeuta ocupacional e doutora em psicologia educacional, dedicou sua carreira a estudar o comportamento neurofisiológico dos estímulos sensoriais dentro do cérebro, desenvolvendo assim a teoria de avaliação e intervenção em integração sensorial.

Técnica de integração sensorial

Em Sensory Integration and the Child: Understanding Hidden Sensory Challenge, escrito por Ayres, ela define esta técnica como “a organização das sensações para seu uso” e explica que a cada segundo nosso corpo recebe informação sensorial dos ambientes que nos cercam. A importância da integração sensorial é crítica, visto que esta informação é processada pelo sistema nervoso central, gerando respostas aos estímulos recebidos. Quando essas respostas não são condizentes com a entrada sensorial recebida, estamos diante de um transtorno da integração sensorial.

Baseada em teorias de neurociência e neurodesenvolvimento, a integração sensorial trabalha sobre sete sistemas sensoriais, enfatizando o sistema vestibular, o proprioceptivo e o tátil. Ayres foi quem demonstrou que o desenvolvimento adequado desses três sistemas é a base para um desenvolvimento apropriado na criança.

Desde aproximadamente a quinta semana de gestação (quando começam a ocorrer as primeiras respostas a estímulos sensoriais táteis) e até o sétimo ano de vida, ocorre a maturação dos sistemas sensoriais, permitindo à criança desenvolver habilidades sensório-motoras, cognitivas e intelectuais que servirão de base para o desempenho ótimo do brincar, das atividades escolares e das atividades básicas da vida diária.

Alterações na integração sensorial

Quando um ou vários sistemas apresentam alterações no processo normal de maturação, ocorrem transtornos da integração sensorial, conceptualizados por Ayres em 1976 como “um grupo heterogêneo de transtornos que refletem a disfunção de um ou vários sistemas ao mesmo tempo, de ordem subcortical ou neuronal, que perturbam a conduta humana.” Essas disfunções geram altos níveis de estresse, frustração, aversão ou rejeição em atividades que impliquem o processamento de estímulos sensoriais. Como consequência, as funções ocupacionais da criança em seus contextos habituais são alteradas, pois geralmente não se sentem capazes de cumprir com sucesso as demandas do dia a dia.

Transtornos na integração sensorial

Os transtornos de processamento da integração sensorial são divididos em cinco grandes categorias que permitem compreender com maior facilidade a técnica:

Transtornos do registro sensorial

O indivíduo não registra o estímulo sensorial ou o registra lentamente, dando uma resposta tardia.

Transtornos da modulação sensorial

As respostas são inconsistentes com o estímulo fornecido. Podem ser exageradas (hiper-respostas) ou muito tênues (hipo-respostas).

Problemas de discriminação e percepção

Falhas para diferenciar relações espaciais e temporais entre estímulos.

Transtornos de processamento vestibular

Dificuldades para processar estímulos vestibulares. Falhas de endireitamento e equilíbrio.

Dispraxias

Dificuldade para o planejamento e a execução de atos motores. Não são associadas a diagnósticos.

A importância da integração sensorial

É importante destacar que o diagnóstico e a intervenção dos transtornos de processamento sensorial são competência do terapeuta ocupacional especialista nesta técnica. No entanto, professores, psicólogos, médicos, fisioterapeutas ou outros profissionais da saúde pediátrica e da educação têm um papel importante na identificação de condutas que possam levar a transtornos da integração sensorial, o que permitiria realizar encaminhamentos adequados e alcançar um diagnóstico e uma intervenção precoce. A especialização neste âmbito é chave com uma formação adequada

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