Hoje trazemos a vocês um post interessantíssimo que busca tornar mais atraente e próxima uma condição por vezes desconhecida como a Alexia.
O que é a Alexia?
A alexia é um transtorno da linguagem escrita que se caracteriza pela incapacidade de ler causada por uma lesão cerebral, geralmente no hemisfério cerebral esquerdo, o qual é considerado dominante para a linguagem.
Dessa maneira, quando uma pessoa sofre um acidente vascular cerebral (AVC), um tumor cerebral, uma doença neurodegenerativa, um traumatismo cranioencefálico ou qualquer outro tipo de dano cerebral, multifocal ou difuso, é possível que ela apresente alterações ou dificuldades na leitura.
Tipos de Alexias
Shallice e Warrington dividem as alexias em duas tipologias distintas:
- Alexias centrais ou afásicas, as quais estão associadas a um déficit nas funções superiores relacionadas à leitura. Ou seja, não se pode acessar de forma visual o valor semântico de uma maneira, impedindo assim o início do processo de produção oral.
- Alexias periféricas, as quais têm sua origem em um déficit no tratamento visual da informação escrita ou na percepção visual da palavra. Neste grupo, encontram-se a alexia pura ou sem agrafia, a alexia atencional e a alexia por heminegligência.
A Alexia Pura ou Alexia Sem Agrafia
No caso da alexia pura ou sem agrafia, trata-se de uma síndrome neurológica clássica de desconexão que se caracteriza por uma alteração na leitura e na qual se conservam outras funções da linguagem como a expressão, a compreensão verbal e a escrita.
Entre as principais causas de aparecimento da alexia pura ou sem agrafia podem-se encontrar:
- Lesão no lobo occipital esquerdo e no corpo caloso.
- Infarto no corpo geniculado lateral e no esplênio do corpo caloso.
- Lesão na área visual extraestriada medial esquerda.
Além disso, as características diferenciais que este tipo de alexia periférica apresenta são:
- Retenção da capacidade de escrever tanto de forma espontânea quanto em modalidade de ditado.
- Conservação da capacidade de soletrar de memória uma palavra e de reconhecê-la quando o observador a soletra sem nenhum canal visual.
- Identificação das letras individualmente em um texto, mas impossibilidade de ler as palavras e as frases completas.
- Leitura sequencial e literal.
- Afectação mais pronunciada na longitudinalidade da palavra.
Pacientes com Alexia Pura ou Sem Agrafia
O que ocorre nos casos de pacientes com alexia pura ou sem agrafia é a incapacidade de ativar tanto a rota semântica, ou seja, aquela que permite identificar as palavras sem necessidade das correspondências entre letras e palavras; quanto a rota fonológica, a qual permite ler a partir de uma conversão grafofonêmica.
Com o objetivo, não só de recuperar a funcionalidade comunicativa alterada das pessoas que sofrem de alexia pura ou sem agrafia, mas também de promover a generalização de seu âmbito cotidiano e de desenvolver estratégias compensatórias para lidar com os déficits residuais, existem distintos tratamentos fonoaudiológicos que, embora ajudem a melhorar o nível de leitura, esta continuará sendo mais lenta e trabalhosa do que o habitual.
Para trabalhar a consciência fonológica e grafêmica e, por conseguinte, começar a ativar a rota fonológica, o fonoaudiólogo proporá exercícios que trabalhem a análise grafêmica, a atribuição de fonemas a grafemas e a união de fonemas, com o fim de conseguir uma conversão grafema-fonema.
O Trabalho da Rota Lexical
No caso em que se pretenda trabalhar a rota lexical, recuperando assim parte do léxico visual perdido e melhorando o acesso a este léxico, poderá ser feito mediante exercícios de apresentação de palavras de diferentes campos semânticos, tarefas de discriminação de homófonos, diferenciação de palavras de pseudopalavras, associação de palavras, cópia e ditado de palavras, reconhecimento de categorias gramaticais ou inclusive de exercícios semânticos tais como a classificação de palavras em função do campo semântico, a associação de palavras escritas com sua respectiva imagem ou a descrição dos atributos semânticos de uma palavra.