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Antonio Bolinches: “A psicologia serve para nos conhecermos e aceitarmos melhor os outros”

Antonio Bolinches é psicólogo especialista em Psicologia Clínica, Mestre em Sexualidade Humana e terapeuta individual e de casal. Criador e promotor do conceito de Terapia Vital como ferramenta de autoconhecimento, publica seu novo livro Tu e eu somos seis, uma jornada tutelada até o autoconhecimento. 

O que o livro Tu e eu somos seis explica?

A forma de melhorar através do autoconhecimento. Cada um de nós tem três partes psicológicas: o Pai, o Adulto e a Criança. O Pai incorpora as normas sociais que cada um de nós interioriza; a Criança simboliza nossa parte infantil e o Adulto harmoniza as necessidades da Criança com as limitações que o Pai impõe à satisfação dessas necessidades. Essas três partes do Eu determinam nosso comportamento. O livro desenvolve, através de 100 aforismos, especialmente selecionados, os quatro elementos que produzem o aprimoramento pessoal e, consequentemente, o da sociedade.


Quais são esses quatro elementos?

A atitude positiva, a inteligência, a bondade e a vontade. Esses quatro elementos se reforçam e nos orientam a fazer o bem entre nós e para nós, resultando, consequentemente, no bem comum. Esse pensamento tem sua origem no imperativo categórico da moral kantiana, que impulsiona a agir de forma tal que a máxima de sua ação possa se converter em uma lei universal. Como explico no livro, a teoria da felicidade que defende a Terapia Vital estabelece que as coisas boas são feitas graças à vontade e as más apesar da vontade. Os quatro elementos que permitem o aprimoramento humano devem estar estreitamente vinculados, visto que se a inteligência e a vontade não se orientarem para a bondade, pode haver o risco de que se dirijam para o egoísmo negativo, a tirania e o despotismo.

 

 

A quem o livro é dirigido?

O livro é dirigido a pessoas com mais de 14 anos que confiam em sua capacidade de autoaprimoramento. Em concreto, é dedicado a três tipos de público: a qualquer pessoa que queira melhorar sua situação pessoal e nível de felicidade, aos psicólogos que consideram a Terapia Vital como modelo de intervenção, e a pedagogos e educadores em geral, pois lhes servirá para usar adaptativamente o diálogo interior para educar os jovens. De fato, a leitura de Tu e eu somos seis torna factível a frase de Paulo Freire que diz que “estar educado é ser criticamente consciente da realidade pessoal”.

Em que se diferencia de outros livros de autoajuda?

Diferencia-se em três aspectos. Primeiro, porque aplica um método que somente podem utilizar aqueles que realizaram a Pós-graduação de Especialização em Terapia Vital que ministro no Instituto Superior de Estudos Psicológicos, ISEP. Segundo, porque é um método fácil de explicar, entender e aplicar. E terceiro, porque um dos objetivos básicos da Terapia Vital consiste em alcançar a maturidade através da capacidade de seus especialistas em se converterem em terapeutas de si mesmos, produzindo na pessoa uma dupla satisfação: o indivíduo se entende melhor e, graças a isso, melhora a si mesmo e melhora as relações com os outros.


Anteriormente, você comentou que o livro é dirigido a psicólogos. Você se refere a psicólogos clínicos ou a profissionais de qualquer ramo da psicologia?

Todos os psicólogos podem se beneficiar da Terapia Vital. Para os psicólogos clínicos, trata-se de um instrumento que permite extrair frases como lema terapêutico, como parte de uma ação para melhorar. Mas serve para qualquer psicólogo: recordemos que a psicologia serve para nos conhecermos melhor e, consequentemente, aceitar melhor os outros.  

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