A assertividade tem a ver com a necessidade de nos cuidarmos e protegermos a nós mesmos e aos outros, com o desejo de gerar confiança e proximidade através da comunicação. Trata-se de contribuir para o bem comum a partir da própria melhoria.
Da mesma forma, é uma atitude necessária para o bom funcionamento das relações interpessoais e é, no mínimo, uma questão de dois. Implica generosidade e é inconcebível sem empatia e consideração pelo outro.
No entanto, muitas pessoas acreditam que assertividade consiste em falar de mim, dos meus desejos, sentimentos, opiniões e preferências. Na realidade, ser assertivo implica conhecer e considerar também os daqueles que nos rodeiam, atendendo não só aos sentimentos que outros desencadeiam em nós, mas também ao que nós desencadeamos neles (Bach e Forés, 2012).
Nesse sentido, a assertividade é um recurso para comunicar de modo respeitoso e oportuno o que eu sinto e para acolher com o mesmo respeito o que os outros sentem. Não é uma estratégia para ocultar o que sentimos. De fato, seria um erro pensar que se reduz a empregar palavras bonitas para disfarçar nossos sentimentos, pois o que sentimos sempre comunicamos de um modo ou outro, seja com a palavra, a voz, o olhar, a expressão facial, postura corporal, etc. Para o que sim é útil é para aprender a conter e canalizar adequadamente determinadas emoções (Bach e Forés, 2012).
Assertividade não significa afirmar-se custe o que custar. Se assim fosse, os direitos do outro seriam contrariados e, em vez de nos orientarmos para o encontro e o intercâmbio verdadeiro, nos encaminharíamos para o cultivo do próprio ego, a submissão do outro e a prepotência. Além disso, entendida como mera autoafirmação, a assertividade não soluciona nada, visto que as raivas e desavenças se resolvem no plano emocional quando os sentimentos se encontram, e não no verbal, recorrendo a uma forma de expressão determinada (Bach e Forés, 2012).
Portanto, devemos renunciar ao uso instrumental da assertividade, a orientá-la para fins exclusivamente pessoais e a utilizá-la para conseguir o que queremos, fazendo uso de adornos verbais ou para idear maneiras mais ou menos afortunadas e não ofensivas de dizer algo pouco agradável de ouvir. Se empregada dessa maneira, não contempla a empatia nem a escuta ativa, não leva em conta a adequação a diversas situações e circunstâncias e, além disso, acaba sendo ineficaz (Bach e Forés). Se estivermos devidamente formados, com um Mestrado em Psicoterapia do Bem-Estar Emocional, por exemplo, devemos transmitir todas essas ideias aos nossos pacientes em consulta.
Em uma sessão de casal, o homem do casal assinalou que “a história da assertividade lhe parecia patética e, além disso, implica um desgaste muito grande quando se pode ir direto ao ponto sem tanta complicação”. Segundo ele, ser assertivo promove ser “politicamente correto e, consequentemente, falso e hipócrita”. Não estava disposto a ter “este tipo de comunicação com minha mulher porque se a ela, que é minha parceira e a quem confio tudo, não posso falar com total sinceridade, então com quem mais posso falar como me apraz?”. Não se propunha a fazer nada para melhorar a comunicação com sua mulher, apesar de ela ter pedido terapia psicológica, precisamente por um tema de comunicação.
Um paciente que trabalhava em uma multinacional assinalou em uma das sessões de terapia: “Isso de assertividade e empatia faz muita falta aos da minha empresa. Deveriam nos dar um curso porque o chefe, quando te exige algo fora de suas tarefas e você diz que não tem tempo disponível, responde com um ‘Eu sou o chefe e eu digo o que tem que fazer e pronto. Quem quiser se adaptar se adapta, e quem não, já sabe o que tem que fazer’”.
Uma paciente que vinha por conflitos com sua mãe perguntava em sessão: “O que se pode fazer com uma pessoa que nunca pede desculpas, e que quando você fala com ela te diz que não as pede jamais porque age sempre de boa-fé e, portanto, não precisa se desculpar?”. A resposta da terapeuta foi: “Você pode fazer duas coisas: deixar de pedi-las se, pelo fato de você as pedir e o outro não, você tem a sensação de que ele está em dívida com você e se sente zangada; inclusive dizendo a ele que talvez tenha razão e que quando se age de boa-fé não é preciso pedir desculpas”, ou, continuar pedindo-as se para você é importante fazê-lo, mas aceitando que o outro vê de outra maneira”.
Apesar de muitas pessoas ignorarem o valor da assertividade, comprovou-se que ela está estreitamente relacionada com a felicidade, pois ambas têm a ver com a qualidade das relações que mantemos com aqueles que nos rodeiam. Se a assertividade se refere à capacidade de nos comunicarmos de modo honesto e respeitoso, a felicidade depende em boa medida dos vínculos que somos capazes de estabelecer com esses outros (Bach e Forés, 2012).