Entre 10 e 15% da população escolar sofre de algum transtorno de aprendizagem. Essa porcentagem, que tem aumentado ano após ano, não demonstra que há mais crianças que os padeçam, mas sim que há mais diagnosticados. Em todas as salas de aula há alguma criança com dislexia, que é o transtorno mais frequente, seguido dos derivados do déficit de atenção por hiperatividade e da discalculia.
Desde ISEP, formamos especialistas em aprendizagem e atenção precoce desde 1984 e acreditamos que a coordenação entre pais, professores e pediatras é essencial para detectar o mais rápido possível esses casos e evitar que a criança sofra fracasso escolar. O caminho habitual quando se detecta algum problema de aprendizagem na escola é comunicá-lo aos pais, que decidem levá-lo ao pediatra, que normalmente o encaminha ao psicólogo. Mas nem sempre esse processo é rápido; alguns pais decidem esperar que a criança amadureça ou alguns professores esperam para analisar seu avanço. Nesses casos, nem pais, nem professores, nem pediatras têm a formação adequada em transtornos de aprendizagem infantil e é indispensável a intervenção de um profissional para diagnosticar corretamente e iniciar sua reeducação e conseguir que essa dificuldade não impeça a continuidade de sua aprendizagem.
Muitos casos de fracasso escolar em idades avançadas (ensino médio ou bacharelado) são resultado de um diagnóstico precoce inadequado: a criança é rotulada como preguiçosa, distraída, etc. Mas alguns deles sofrem de transtornos de aprendizagem não diagnosticados, que acabam degenerando em abandono escolar e com problemas adicionais derivados de uma baixa autoestima. São adolescentes que se esforçam, mas não conseguem resultados positivos, o que os desanima e os leva a desistir.
A figura do pediatra e do professor é uma fonte de confiança para muitos pais com dúvidas. Sua prescrição é essencial para que o pequeno receba a atenção necessária por parte de um psicólogo ou psicopedagogo que inicie sua reeducação, sem necessidade de fármacos. Nem sempre se trata de problemas de aprendizagem catalogados como tal, mas sim que o cérebro da criança funciona em um ritmo diferente do restante da turma ou utiliza ferramentas diferentes das propostas em sala de aula para adquirir conhecimentos. Trabalhar em conjunto com um especialista em aprendizagem multiplica suas possibilidades de sucesso. A reeducação é oferecer a uma criança as melhores técnicas de estudo para seu perfil.
Os profissionais formados no ISEP propõem soluções que passam pela criação de programas específicos para sua dificuldade, nos quais é imprescindível uma atenção mais personalizada e multidisciplinar. Devem transmitir às crianças de forma mais atrativa os estudos e difundir entusiasmo pela aprendizagem. Sem esquecer que para alcançar essas metas é necessária a implicação da família. Finalmente, diante de qualquer dificuldade na aprendizagem de um filho ou aluno, é primordial a prevenção, uma avaliação neuropsicológica e o desenvolvimento de um programa de intervenção específico da problemática onde a criança será ajudada a compensar suas dificuldades na aprendizagem.
A atenção precoce é a melhor aliada à Intervenção em dificuldades de aprendizagem, pois se configura como a técnica de avaliação, diagnóstico e tratamento mais eficaz para assegurar às crianças um desenvolvimento adequado e um futuro de sucesso tanto a nível educacional quanto social.