A matemática elementar, juntamente com a lectoescrita, constitui a aprendizagem básica que as crianças realizam nos primeiros anos escolares. O conhecimento matemático lhes permitirá desenvolver-se não apenas na escola, mas em muitas situações da vida cotidiana. Além disso, constitui a base para continuar a aquisição de outros conhecimentos mais complexos, caso sigam estudos de longa duração (Defior, 2000).
No ano 2000, apenas 57% das crianças espanholas de 13 anos atingiam um nível funcional mínimo para responder às demandas cotidianas e poder desenvolver-se na sociedade atual, ou seja, 43% dessas crianças não possuíam essa habilidade em seu valor instrumental básico. Por sua vez, segundo o DSM V, cerca de 1% das crianças em idade escolar sofrem de um transtorno de cálculo, que geralmente se manifesta no segundo ou terceiro ano do ensino fundamental (Defior, 2000).
A diferença entre as dificuldades de aprendizagem (DAM) de matemática e a discalculia reside no fato de que esta última se baseia na dificuldade de aprendizagem específica em matemática sem outros problemas associados (Defior, 2000).
As DAM, entendidas como dificuldades de aprendizagem matemática não associadas ao atraso mental ou a um problema na escolarização, incluem as seguintes características (Defior, 2000):
– Discrepância entre o desempenho esperado e o real.
– Implica uma alteração significativa na vida cotidiana.
– A dificuldade não se deve a déficits sensoriais, baixa inteligência ou problemas de escolarização.
Da psicologia cognitiva, reconhece-se que o remédio para a fobia generalizada em relação à matemática, tão frequente entre os alunos, e mais especificamente, o remédio para as DAM, não reside em encontrar melhores procedimentos didáticos, mas sim em buscar um ensino em correspondência com a compreensão dos processos cognitivos que subjazem ao pensamento e à execução da matemática (Defior, 2000).
Atualmente, os estudos indicam que a competência matemática segue um processo de construção lento e gradual, que vai do concreto e específico ao abstrato e geral, e que as atividades concretas e manipulativas com objetos constituem o alicerce dessa construção (Defior, 2000).
Aceita-se que a habilidade matemática elementar pode ser decomposta em uma série de sub-habilidades, entre as quais se distinguem a numeração, o cálculo, a resolução de problemas, a estimativa, além do conceito de medida e algumas noções de geometria (Defior, 2000).
Alguns princípios que devem estar presentes na aprendizagem e ensino da matemática são (Defior, 2000):
– A aquisição do conhecimento matemático considerada como um processo de construção ativa e não uma mera absorção por parte do sujeito.
– Os conhecimentos prévios ocupam um papel crucial na aprendizagem, pois constituem a base para a aquisição e compreensão de outros novos.
– Distinguem-se dois tipos de conhecimentos: o declarativo, que implica saber o quê ou o conhecimento dos conceitos matemáticos, e o procedimental, que se baseia em saber como ou o conhecimento dos algoritmos e das estratégias de resolução e quando aplicá-los.
– Para alcançar o pleno domínio das habilidades, a automatização dos procedimentos é primordial. Dadas as limitações de processamento do ser humano, torna-se necessário liberar recursos cognitivos na execução das operações matemáticas, como, por exemplo, as combinações numéricas básicas (3+3, 2×2, 8:2) ou os algoritmos.
– Para alcançar a competência matemática, é necessário aplicar o conhecimento em uma grande variedade de contextos.
– Os aspectos metacognitivos de controle e guia da própria atividade constituem outro grupo de processos cognitivos de grande relevância na execução competente.
– A análise dos erros sistemáticos é um procedimento de grande valor para a compreensão dos processos e estratégias de pensamento dos sujeitos, já que, como expressa Riviére (1990): “muitas vezes são as únicas janelas pelas quais podemos ver as mentes dos alunos” (p.116). Nesse sentido, permite ao professor detectar regras ou estratégias incorretas que têm sua origem em procedimentos viciados, inventados para resolver situações novas para as quais não têm resposta.
– Finalmente, da psicologia cognitiva, a pessoa humana não é entendida apenas como um processador ativo de informação, mas em seu comportamento influenciam igualmente as emoções, os interesses, os afetos e as relações sociais.
Os princípios que todo professor deveria levar em conta como guia de atuação para a discalculia e as DAM são (Defior, 2000):
– Concentrar-se em estimular a aprendizagem de relações.
– Concentrar-se em ajudar as crianças a ver conexões e a modificar seus pontos de vista.
– Planejar o ensino levando em conta que a aprendizagem significativa requer tempo.
– Estimular e aproveitar a matemática inventada pelas próprias crianças ou matemática informal.
– Levar em conta o nível de desenvolvimento e a preparação de cada indivíduo.
– Utilizar o interesse natural das crianças pelo jogo.
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