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Discipline Seu Cérebro, Sem Sobrecargá-lo

Todos nós já passamos pelo estresse de chegar ao dia anterior a uma prova sem ter estudado o suficiente, ou perto da entrega de um relatório de trabalho ao qual não dedicamos o tempo necessário. É o momento em que a pressão nos coloca em uma corrida contra o tempo, com a esperança de compensar a falta de dedicação ao longo do período. O cérebro pode ser educado para evitar isso.

Como o Cérebro Funciona Diante do Estímulo

Independentemente de funcionar ou não, essa prática não é uma boa estratégia para o aprendizado e a produtividade a longo prazo. É algo que todos sabemos por experiência. No entanto, é um erro em que costumamos cair continuamente. A razão é que, quando começamos a trabalhar, ocorre em nosso cérebro um processo conhecido como “desconforto neuronal”. Ou seja, surge um sentimento de mal-estar que nos impulsiona a mudar de atividade continuamente.

Em um ambiente onde as distrações abundam, é fácil que o trabalho seja constantemente interrompido por elas, fazendo-nos mudar continuamente o foco. Essas distrações atuam como uma via de escape do desconforto neuronal, mas com dois custos importantes:

  • a improdutividade.
  • a procrastinação.

As pesquisas em neurociências demonstram que, pouco tempo depois de nos concentrarmos esforçadamente na atividade, o desconforto neuronal desaparece e podemos prestar atenção sustentada à tarefa sem a necessidade do esforço inicial. No entanto, esse tipo de atenção não pode ser mantido por muito tempo, e é essa a razão pela qual estudar todo o curso em uma noite não é útil para o aprendizado.

A doutora Barbara Oakley, professora da Universidade de Oakland, explica esse fenômeno com a seguinte analogia: se uma pessoa quer desenvolver seus músculos, logicamente não irá um dia inteiro à academia e fará centenas de repetições. O desenvolvimento muscular é um processo gradual que ocorre alternando períodos de treino e descanso. No caso do cérebro, ocorre de forma similar através de dois tipos de pensamento: o pensamento focado e o pensamento difuso.

O Cérebro e o Pensamento Focado

O pensamento focado é o mecanismo que utilizamos quando nos concentramos intencionalmente em uma tarefa. Caracteriza-se por ser pouco flexível e geralmente está associado a atividades nas quais já temos um conhecimento prévio. Por exemplo, se estamos resolvendo uma equação matemática, mesmo que essa equação em particular seja nova para nós, supõe-se que contamos com um conhecimento base em matemática, o qual é suportado por vias neuronais formadas previamente.

O Cérebro e o Pensamento Difuso

O segundo tipo é o pensamento difuso. Trata-se de um estilo mais relaxado, onde diferentes áreas cerebrais são ativadas e não respondem a conexões previamente estabelecidas. Por esse motivo, esse tipo de pensamento é muito eficaz na hora de realizar tarefas novas, já que permite soluções mais criativas conectando de novas formas diferentes áreas cerebrais.

Cabe ressaltar que não é possível estar nos dois tipos de pensamento ao mesmo tempo. Por essa razão, os neurocientistas recomendam que, ao executar tarefas, seja que estejam relacionadas com a memorização, análise ou qualquer outra atividade que requeira atenção sustentada, é útil alternar períodos longos de pensamento focado com curtos de dispersão.

Da mesma forma, essa estratégia é eficaz quando ocorre um estancamento na resolução de um problema, sendo aconselhável passar do pensamento focado para o difuso em busca de novas soluções mais criativas. Para isso, é necessário fazer uma breve pausa na tarefa que estamos realizando, permitindo à mente descansar, o que ativará o pensamento difuso. Posteriormente, retornaremos ao modo focado com novas soluções alternativas.

Anteriormente, mencionei a procrastinação. É um conceito popularizado nos últimos anos que descreve a tendência a postergar as tarefas, como forma de escapar do desconforto neuronal. Procrastinar é uma solução de curto prazo com resultados muito ruins. O que deixamos de fazer não desaparece; pelo contrário, continua em nossa mente como atividade pendente e tem o potencial de gerar estresse e sentimentos de frustração. Adicionalmente, por ser uma via de escape para o cérebro, é fácil que se repita o número suficiente de vezes para se tornar um hábito, ganhando a força necessária para nos manter afastados de nossos objetivos.

A Solução para a Procrastinação: a Técnica Pomodoro

Dito isso, passemos à solução. Existem diferentes métodos de autodisciplina; neste artigo, falarei sobre a técnica Pomodoro. Seu criador foi o italiano Francesco Cirillo na década de 80, que a batizou com esse nome (tomate em castelhano), porque usava um temporizador em forma de tomate.

Em que Consiste a Técnica Pomodoro?

Essa técnica consiste em alternar momentos de atividade intensa com momentos de descanso. A proposta de Cirillo é de 25 minutos de trabalho concentrado por 5 minutos de descanso. Ele propõe que observemos a tarefa completa, calculemos o número de pomodoros que precisamos para terminá-la e coloquemos as mãos à obra.

É muito importante que esses períodos de atenção sustentada estejam totalmente livres de interrupções, como a entrada de mensagens no e-mail, chamadas e demais distrações. Outra regra é que não se dividam os pomodoros. Ou seja, se programarmos 25 minutos, não devemos parar aos 10 e depois fazer 15, mas sim que o período deve correr ininterruptamente. Além disso, ele propõe que a cada 4 pomodoros se faça um descanso mais longo de uns 20 minutos.

Também podemos ir adaptando a técnica à medida que observamos qual extensão de tempo é mais adequada para nosso rendimento. Existem pessoas que encontram mais produtivos períodos de trabalho de 45 minutos ou uma hora, com descansos de 10 ou 15 minutos, por exemplo.

O mais interessante dessa ferramenta é que, além de sua efetividade no planejamento de atividades e na instauração de hábitos disciplinados, permite a ativação de nossos dois processos de pensamento. Com isso, conseguimos ser produtivos ao mesmo tempo em que treinamos nosso cérebro sem sobrecarregá-lo, permitindo que os aprendizados se consolidem, assim como encontrar soluções criativas para nossos problemas.

Agora que já conhecemos os dois sistemas de pensamento e uma forma efetiva de colocá-los em prática, podemos passar à ação.

O Valor das Terapias Contextuais

O artigo apresenta algumas das chaves das Terapias Contextuais, as quais possuem grande importância na hora de realizar intervenções eficazes em problemas psicológicos. A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), a Terapia Analítico Funcional (TAF), a Terapia Dialético Comportamental (TDC), a Terapia de Ativação Comportamental (TAC) ou a Terapia Breve Estratégica são algumas das terapias que você poderá estudar no ISEP realizando o Mestrado em Terapias Contextuais. Solicite informações sem compromisso!

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