A ginástica cerebral é muito eficaz e contribui para a saúde em geral. Sua prática contínua otimiza os processos de aprendizagem, ajuda a expressar melhor suas ideias, memorizar, aumentar a criatividade e facilita o gerenciamento do estresse. Falar de ginástica cerebral é apelar ao conhecimento científico.
Grande parte das iniciativas visa estimular a realização de atividades motoras, simultaneamente com ambas as extremidades, mas desenvolvendo movimentos diferentes em cada extremidade. Dessa forma, o hemisfério cerebral direito (que controla as extremidades esquerdas) trabalha coordenadamente com o hemisfério cerebral esquerdo (que controla as extremidades direitas), maximizando o uso de ambos.
Essas atividades são fáceis de ensinar e agradáveis de aprender, lembrando-nos dos tão desejados jogos motores da infância. Os recursos audiovisuais geram uma excelente contribuição para os fins psicoeducativos dos profissionais de saúde e educação que aplicam essas técnicas em benefício de seus pacientes e estudantes.
Os princípios da Ginástica Cerebral
São exercícios simples, eficazes, didáticos, divertidos e fáceis de aprender, que com habilidades psicoeducativas podem ser ensinados a crianças, adultos e idosos, como práticas recreativas. Formar hábitos de Ginástica Cerebral é fundamental; são exercícios que implicam concentração, movimentos oculares e de extremidades, flexibilidade muscular, coordenação corporal e visoespacial, ativação psicofisiológica, práticas de relaxamento, entre outros; pois partem de três princípios cientificamente comprovados:
- O cérebro aprende mais efetivamente quando há presença de estimulação emocional e sensorial (auditiva, visual, tátil).
- A comunicação e coordenação entre os hemisférios cerebrais através do corpo caloso do cérebro se fortalece quando as extremidades devem ser mobilizadas e coordenadas em sentidos ou movimentos dissimilares.
- Aprendemos imaginando e brincando, pois se você usa sua imaginação, ativa os padrões sensório-motores em relação à sua emoção e sua memória.

Dependendo do exercício, que no caso dos idosos preferencialmente deve ser instruído por um terapeuta ocupacional, fisioterapeuta ou psicólogo, quem o pratica tem múltiplos benefícios. Esses exercícios podem ser praticados por qualquer pessoa de qualquer idade, para melhorar seu aprendizado, sua plasticidade cerebral e, consequentemente, sua saúde, pois o cérebro é um órgão que, assim como outros, deve ser cuidado.
Benefícios da Ginástica Cerebral
É uma ferramenta didática que pode ser utilizada no desenvolvimento de diferentes propósitos psicoeducativos e de reabilitação do declínio cognitivo. A seguir, são expressos alguns dos benefícios mais significativos:
- Integra funções cerebrais, melhorando os processos de aprendizagem, memória, concentração e atenção ao coordenar o movimento, a visão e a audição, melhorando a coordenação mão/olho e aumentando as conexões sinápticas.
- Propicia a ativação e comunicação de ambos os hemisférios cerebrais, formando mais redes nervosas e preparando o cérebro para um maior nível de raciocínio. Ao demandar maior participação do hemisfério cerebral direito, estimula diretamente a criatividade e a capacidade de visualizar e fortalecer as representações cerebrais.
- Maximiza a ativação muscular, facilitando o alerta e o equilíbrio da ativação nervosa, melhorando o equilíbrio. Essa ativação, somada à sua natureza didática/recreativa, conecta as emoções no sistema límbico cerebral, diminuindo os níveis de estresse e relaxando o corpo.
- Fortalece o desenvolvimento de comportamentos de autocuidado e adesão ao tratamento, pois oferece esperança dentro do luto que representa assumir o processo de declínio cognitivo progressivo no idoso. Elementos como a autoestima são fortalecidos graças à autoeficácia percebida, ao executar esse tipo de atividade. Pequenos desafios de psicomotricidade proporcionam um componente de “sentido” ao cotidiano do idoso que, ao realizá-los sob supervisão psicoterapêutica, podem gerar novos significados sobre a compreensão de sua condição e as ferramentas para enfrentá-la.
Contribuições para o idoso
Seus benefícios são observados a longo prazo. Ao desenvolver maior quantidade de conexões sinápticas, desacelera o declínio cognitivo; as doenças neurodegenerativas do cérebro, como o Alzheimer, avançam com maior lentidão. Isso favorece os cuidadores e os idosos a longo prazo, devido ao fato de que a realização coordenada desses exercícios provoca o aumento de neurotropina (o fator neuronal natural de crescimento) e um grande número de conexões neuronais.
Outras áreas de fortalecimento são as de autonomia, autocuidado e autoestima na terapia cognitivo-comportamental para idosos. A atividade física por si só gera sensação de bem-estar que, somada à percepção de serem participantes ativos e eficazes na execução de tarefas de autocuidado, gera grande satisfação pessoal. É comum ver avôs e avós sorrindo enquanto realizam seus exercícios; isso por si só já é um ganho.
Transcendendo o declínio cognitivo
É fundamental perceber seu alcance dentro do núcleo familiar; tanto adultos, adolescentes quanto crianças podem se beneficiar significativamente de sua prática, não apenas apoiando os avôs e avós acompanhando-os em suas rotinas, mas também integrando os alcances dessas práticas no desenvolvimento humano de todo o núcleo familiar. Potencializado por ter rotinas de exercícios para todas as idades.
Um grupo amplamente beneficiado são os mais jovens da casa, cujo cérebro cresce 80% de seu tamanho nos primeiros três anos de vida, com uma plasticidade cerebral impressionante, somada a um processo ativo de aprendizagem sem precedentes no desenvolvimento evolutivo humano, onde os exercícios de Ginástica Cerebral na infância representam uma dádiva para seu desenvolvimento neuronal e fortalecimento de processos cognitivos superiores como a criatividade.