É comum hoje em dia encontrarmos em nossas consultas crianças com um alto grau de impulsividade ou com um déficit no controle de suas funções executivas, mostrando dificuldades em se organizar, planejar ou estruturar uma tarefa; assim como em tomar decisões corretas que tenham sido elaboradas e pensadas com antecedência. Além disso, em muitas ocasiões a impulsividade surge como resposta a uma má gestão emocional, na maioria das vezes um excesso de emoção, como por exemplo estar super excitado ou muito zangado.
Quando isso acontece, costuma-se dar muita ênfase em expor às crianças o que elas não fizeram bem, em vez de lhes dar alternativas ou estratégias prévias ao momento em que agem para poder determinar quais consequências isso que elas querem fazer acarreta.Se conseguirmos transformar os “NÃO” em atividades ou jogos que sejam mais atraentes para elas, ajudaremos a que vivam essa dificuldade de uma maneira mais positiva e, assim, poderemos fortalecer o vínculo com elas.
Uma atividade muito simples para conseguir isso, e que dá muito bons resultados, é a de usar o botão do “Pause”, muito útil para frear a impulsividade da criança justo antes de realizar uma conduta que não será benéfica para ela.
Esta atividade é muito divertida e interessante para as crianças, pois os elementos principais para desenvolvê-la serão o controle remoto da televisão, a televisão e nosso próprio corpo (se a atividade for realizada pelos pais em casa) e nós, no consultório, poderemos utilizar vídeos do Youtube e um computador.
O objetivo principal é relacionar o estado emocional da criança com sua capacidade para tomar decisões. Para isso, nos basearemos em fazer a criança entender que, assim como colocamos o “pause” quando queremos parar um filme, um desenho ou um vídeo, nós podemos colocar “pause” em nosso cérebro. É muito importante que previamente trabalhemos com ela em que situações pediremos que o utilize. Podemos nos ajudar de desenhos que mostrem um cérebro sorrindo quando as emoções estão bem reguladas e um cérebro triste quando as emoções estão mal reguladas, seja, por exemplo, devido a um excesso de alegria, um excesso de raiva ou por um desgosto.
Posterior a esta explicação, é preciso ensinar à criança que quando estas emoções estão mal reguladas o cérebro termina por tomar uma má decisão, pois fica bloqueado e não sabe o que deve fazer.
Será muito importante neste ponto contar com muitos exemplos de situações em que a criança tenha vivenciado isso que estamos contando, assim a coordenação com a família e a escola será básica nesta atividade.
Uma vez contada a história sobre seu cérebro, explica-se a ela que para remediar esta impulsividade o que ela tem que fazer é dar um “pause” no cérebro, ajudá-lo a se acalmar e a tomar uma boa decisão. Neste momento, começamos a colocar um vídeo de algum de seus desenhos favoritos e damos um pause. Em seguida, cedemos a vez à criança para que veja que ela também tem este poder.
Quando a criança tiver brincado um pouco com o vídeo, colocaremos as mãos na massa com a parte mais prática. Para isso, pediremos que ela se levante e que comece a pular pelo consultório e que quando ouvir: “PAUSE!” deverá parar. Podemos brincar um pouco e depois pedir que ela faça ao contrário, ou seja, nós pulamos e a criança nos dá a ordem de parar.
Finalmente, depois de brincar um pouco com isso, é hora de voltar a sentar e ensinar a ela que, assim como fizemos com o corpo, poderemos fazer com a mente. Para isso, diremos a ela que primeiro serão seus pais quem dirão “pause” quando ela estiver prestes a fazer uma conduta inadequada. Uma vez que a criança tenha se adaptado à nova técnica, pouco a pouco será pedido que ela tente fazê-lo de maneira autônoma, sendo ela quem se diga “pause” em forma de pensamento.
Para nos assegurarmos de que tudo ficou claro, podemos retomar todos os exemplos que lhe foram dados sobre situações em que não se regulou emocionalmente bem e pedir que ela nos diga em que momento deveria ter usado o pause e que conduta alternativa poderia usar.