Os preconceitos têm sido estudados há várias décadas pela psicologia social. Hoje, neste post, falamos sobre como eles incidem com o Coronavírus.
O que são preconceitos?
Em 1954, Allport definiu o preconceito como “a antipatia baseada em uma generalização inflexível e errônea, a qual pode ser sentida ou expressa e que está dirigida a um grupo como totalidade ou a um indivíduo por ser membro do grupo.”
No caso de autores como Eagly e Diekman (2005), consideram o preconceito como um mecanismo intrapsíquico cuja finalidade é manter um status e um papel nas diferenças intergrupais. Desta perspectiva, o preconceito pode ser considerado como uma opinião fortemente enraizada de caráter negativo principalmente frente a uma pessoa ou um grupo.
Além disso, existem outros elementos que se encontram implícitos no tema dos preconceitos e que vão além desta temática, ou seja, que além da opinião ou apatia que quase sempre corresponde ao componente cognitivo, abordam outros como o afetivo e comportamental, próprio do que se denomina atitudes.
O preconceito e o Coronavírus
No início de dezembro de 2019, na cidade chinesa de Wuhan, foi relatado que havia um grupo de pessoas que sofria de sintomas de pneumonia, sendo sua causa desconhecida. Todas essas pessoas doentes, unicamente tinham em comum que trabalhavam no mercado atacadista de frutos do mar do sul da China, Huanan. Este mercado é amplamente conhecido pela venda de animais exóticos vivos que em sua maioria são comprados para o consumo humano.
Embora sua origem tenha sido na China, logo o Coronavírus – COVID-19 se espalhou por numerosos países, causando milhares de mortes em todos eles, chegando a ser considerado uma pandemia. O fato de os chineses terem sido os primeiros a conhecer esta doença, provocou que os cidadãos desse país fossem os primeiros a começar a sofrer discriminação, culpando-os da origem da patologia.
Foi por isso que a Organização Mundial da Saúde (OMS) teve que advertir sobre a tremenda gravidade da estigmatização dos chineses no contágio do Coronavírus. Ao fazê-lo, explicou que muitos cidadãos ocultaram a doença por medo do preconceito que poderiam sofrer, o que certamente favoreceu a multiplicação dos contágios. Precisamente, as atitudes de indiferença em relação à população chinesa têm sido a forma mais evidente da materialização do preconceito em muitas sociedades.
Os preconceitos, medos e discriminações
Tanto é assim que na Ucrânia, alguns residentes do país chegaram a atacar com pedras um micro-ônibus que levava viajantes vindos da China, mostrando assim uma clara amostra de discriminação em relação a esses grupos de pessoas. Da mesma forma, as estatísticas demonstram também que, em muitos lugares do mundo, as vendas dos restaurantes chineses diminuíram cerca de 70% desde o início do surto.
Mas esta discriminação e preconceitos em relação a certos grupos de população não é recente, pois no passado ocorreu o mesmo com o surgimento da chamada Gripe Espanhola. Neste caso, apesar de se apontar que a origem de tal pandemia teve lugar na França, China ou inclusive nos Estados Unidos, a população espanhola foi a que sofreu a estigmatização devido ao fato de a Espanha não ter censurado a publicação das consequências desta gripe na imprensa do país.
Assim, pode-se constatar como, muitas vezes, as opiniões e inclusive as atitudes de caráter negativo, se generalizam frente a outros grupos que consideramos diferentes, o que acaba se constituindo como os exemplos mais claros de preconceitos e sua materialização na vida cotidiana.
Estes elementos e outros de consideração serão expostos em meu novo livro COVID-19 Psicologia Social aplicada, Efeitos Psicossociais do Coronavírus, que muito em breve estará disponível no mercado internacional.