É sabido por todos que a idade infantil e, sobretudo, os primeiros anos de vida são importantes no desenvolvimento humano.
Nesta fase tão crítica e tão definidora da vida do ser humano, deve-se, sem dúvida alguma, estar sob a vigilância e o cuidado de pessoas que possam assistir a criança e seus pais e cuidadores no desenvolvimento cognitivo, físico e social da criança.
É aí que surge a especialização em intervenção precoce para cumprir sua missão.
O que é a intervenção precoce?
“Entende-se por Intervenção Precoce o conjunto de intervenções, dirigidas à população infantil de 0-6 anos, à família e ao ambiente que têm por objetivo atender o mais rapidamente possível as necessidades transitórias ou permanentes que apresentam as crianças com transtornos em seu desenvolvimento ou que têm o risco de padecer deles. Estas intervenções, que devem considerar a globalidade da criança, devem ser planejadas por uma equipe de profissionais de orientação interdisciplinar ou transdisciplinar”, (Livro Branco da Intervenção Precoce, 2000).
A intervenção precoce fundamenta-se em princípios científicos e em outras ciências como a pediatria, a neurologia, a psicologia, a psiquiatria, a fisiatria e inclusive a linguística. A intervenção precoce tem como finalidade oferecer às crianças com déficit ou com risco de padecer deles um conjunto de ações otimizadoras e compensadoras que facilitem sua adequada maturação em todos os âmbitos e que lhes permita alcançar o máximo nível de desenvolvimento pessoal e de integração social.
Isso quer dizer que a intervenção precoce é muito mais que uma assistência médica. É uma abordagem biopsicossocial que inclui os pais, professores e, em geral, o contexto em que a criança se desenvolve.
Tal é a importância da intervenção precoce, que existem guias como o Livro Branco da Intervenção Precoce na Espanha, normativas e leis que resumem os princípios, objetivos e serviços da intervenção precoce. Na América Latina, os países fizeram o mesmo com a criação de formações acadêmicas e programas de atenção centrados na atenção integral da criança. Por sua natureza, a intervenção precoce é indivisível da garantia aos direitos humanos das crianças.
Por que a especialização em Intervenção Precoce é uma boa opção profissional?
A Especialização em Intervenção Precoce é uma boa opção profissional por ser uma profissão que está cada dia mais presente em estruturas de atenção dos serviços médicos de saúde e educativos, e inclusive, nos serviços de atenção social dos Estados.
O profissional de intervenção precoce cumpre um papel indispensável nos serviços integrais e é requerido em qualquer nível: preventivo, diagnóstico ou reabilitador.
Além de contar com uma alta valorização e reconhecimento social pelo trabalho de cuidado para com os mais vulneráveis da população: as crianças. Os profissionais gozam de compensações salariais vantajosas.

Ao ser uma profissão à qual se acede com uma pós-graduação, a especialização em Intervenção Precoce garante aos profissionais uma formação especializada que outorgará, sem dúvida, destaque aos seus perfis profissionais. Mas também facilita a interação e formação de equipes multidisciplinares que oferecem uma visão holística e, de distintas perspectivas, contribuindo para o enriquecimento da formação.
A intervenção precoce é decisiva para o correto desenvolvimento de muitas crianças em todo o mundo. É uma prática profissional que permite garantir o bom desenvolvimento da infância de uma forma significativa, abordando as patologias relacionadas com os problemas neurológicos. A intervenção precoce permite o diagnóstico e também o desenho coordenado de um programa de atenção que oferece apoio e, em muitos casos, é um marco na vida das famílias e das crianças que recorrem a esta terapia e em suas famílias.
Por último, a intervenção precoce é uma boa opção profissional devido a que sua aplicação é multidisciplinar, permitindo seu exercício em diversos âmbitos, desde o educativo até o médico.
Âmbitos da intervenção precoce
Com o objetivo de que a intervenção precoce seja realmente efetiva e gere um impacto positivo na comunidade, na família e nos indivíduos, dispôs-se que a mesma se execute a partir de três níveis de competência.
- O primeiro nível, conhecido como prevenção primária, tem por objetivo evitar as condições que podem levar ao aparecimento de deficiências ou transtornos no desenvolvimento infantil.
- O segundo nível de atenção tem por objetivo a detecção e o diagnóstico precoce. Como bem se sabe, a plasticidade cerebral nos primeiros anos de vida é fundamental para contrariar qualquer dano cognitivo na criança. Portanto, a detecção e o diagnóstico precoce são fundamentais para realizar intervenções mais bem-sucedidas. Esta detecção pode ocorrer tanto na fase pré-natal, antes que a criança nasça, nos serviços de obstetrícia e ginecologia; na fase perinatal durante o período de atenção neonatal (neonatologia) ou no período pós-natal, durante a assistência pediátrica. Os serviços educativos têm uma participação neste segundo nível de atenção. Os professores em muitas ocasiões são quem percebem ou detectam problemas no desenvolvimento e recomendam aos pais a visita a especialistas para que realizem o diagnóstico correspondente. Por último e não menos importante, encontra-se neste nível de detecção o ambiente familiar. Aqueles que convivem diariamente com a criança podem dar conta de sinais de alerta que, bem atendidos e a tempo, podem fazer a diferença, evitando que evolua de uma forma negativa algum dano físico neurológico que a criança possa apresentar.
- O terceiro nível de atenção é o que tem a ver com as atividades propriamente ditas dirigidas à criança e seu ambiente com o objetivo de melhorar as condições de seu desenvolvimento. São atividades que buscam atenuar ou superar os transtornos ou disfunções no desenvolvimento e que devem ser ativadas imediatamente após a detecção e o diagnóstico para que sejam realmente efetivas e tenham um impacto. O objetivo fundamental da intervenção é conseguir que a família conheça e compreenda a realidade de seu filho, suas capacidades e suas limitações. Os profissionais devem ser agentes potencializadores do desenvolvimento da criança nesta fase.
A partir desta separação do trabalho de intervenção precoce em níveis, o serviço é abordado nos seguintes âmbitos de atuação: centros de desenvolvimento infantil e de Intervenção Precoce, serviços de saúde, serviços sociais e serviços educativos.
A Universidade ISEP, líder na formação online na América Latina, oferece uma especialização em Intervenção Precoce dirigida a profissionais da educação, da psicologia, da psicopedagogia e da medicina interessados em se desenvolver na atenção à primeira infância.