Como sabemos, nas discussões de casal, às vezes, vivem-se momentos de grande tensão e mau humor. Uma das causas mais comuns, por exemplo, costuma ser porque um dos membros do casal desloca suas frustrações no outro, seja porque teve um dia ruim, algum problema, etc. Quantas vezes nos dissemos que a discussão poderia ter sido evitada? Quantas horas desperdiçadas passamos às vezes discutindo simplesmente por orgulho de não querer ceder? Ou entramos naquele ciclo de mau humor e tensão que muitas vezes inconscientemente gostamos. Uma vez nesse ciclo, não há mais volta, você acaba até gostando de discutir. O prazer de discutir e o orgulho ganham poder. Está claro que não podemos evitar discutir, mas podemos aprender a manejar os conflitos da melhor maneira possível. Existem diferentes técnicas para controlar essas situações; a seguir, compartilho com vocês algumas delas:
Diante dos primeiros sinais de raiva ou mau humor do nosso parceiro: podemos cortar a escalada da ira simplesmente com um elogio, um comentário positivo, ou usando o humor, para mudar para um clima mais positivo. Nunca devemos usar o humor quando a ira já tiver aumentado, apenas no início.
Tempo fora: damos um “pequeno descanso” para refletir e clarear ideias. Se já estamos no meio de uma discussão, esta técnica pode ser benéfica para deixar a discussão de lado: por exemplo, que cada um vá para um cômodo da casa, que se encontrem fisicamente separados para poder refletir tranquilamente e retomar a discussão mais tarde. Uma vez retomada, o mais provável é que a comunicação seja mais calma e, além disso, a ativação e/ou a agressividade tenham diminuído.
Expressão assertiva dos nossos sentimentos negativos: sempre devemos expressar nossas opiniões, ideias ou sentimentos de uma maneira serena e concreta, por exemplo: “eu me senti”, “eu opino”, etc., de forma direta, sem rodeios.
Banco de névoa (Fogging): na maioria das vezes, quando o mau humor é canalizado para o outro membro do casal, este contra-ataca, pois se sente ameaçado. Esta técnica serve para enfrentarmos críticas de maneira assertiva: aceitar as opiniões, sentimentos ou ideias do outro, mesmo que não as compartilhemos. É muito importante que o casal assuma que cada um pode ter uma percepção ou ponto de vista sobre o problema e que nenhum deles tem a razão absoluta: “Entendo que você tenha reagido assim porque estava cansado, mas, por outro lado, entenda que me senti atacada”.
Pergunta assertiva: para ajudar nosso parceiro a formular uma crítica sobre o outro, mas de maneira assertiva, e a investigar o motivo do início do mau humor, como, por exemplo: “Percebo que você está de mau humor. O que exatamente te incomodou em mim?”
Assertiva negativa: reconhecer nossos erros é algo que nos custa muito. Esta técnica consiste em responder à crítica, reconhecendo nosso erro, mas separando-o do fato de ser boa ou má pessoa. Porque em um dado momento tenhamos condutas inadequadas em relação ao nosso parceiro, não significa que elas nos definam; não devemos generalizá-las. Isso ocorre muito em casais, que tendemos a generalizar quando cometemos erros ou fatos isolados: “Eu sei, não fui adequada, me equivoquei, mas nem por isso sou egoísta”.
Auto-observação/Introspecção: técnica eficaz quando a pessoa começa a ficar um pouco irascível; ela é encorajada a refletir se realmente o que está dizendo é o que quer dizer, ou se o cansaço ou o fato de ter tido um dia ruim estão falando por ela em forma de mau humor, exemplo: “Querido(a), sei que você está cansado(a) e acho que sua reação é devido a isso, e o que você está me dizendo realmente não pensa, não é?”
Mudança mútua: a maioria das discussões se mantém porque o casal quer que seja o outro a mudar, entrando assim em uma espécie de queixa circular que se retroalimenta: agir com orgulho porque o outro age com orgulho. Cada pessoa deve tomar o controle e não esperar que a outra pessoa o faça.
As pessoas não são ensinadas a manejar essas situações; realmente agimos como podemos, improvisamos com o que aprendemos e observamos em nosso ambiente mais próximo, deixando-nos levar por nossas emoções. No amor, também não somos ensinados a comunicar de maneira assertiva e, como tudo na vida, também podemos aprender. É igualmente importante trabalhar outras habilidades como a inteligência emocional, saber expressar o amor, transmitir assertivamente os sentimentos, ser empático com nosso parceiro, expressar o que sentimos e o que pensamos de uma maneira correta e aprender técnicas de resolução de conflitos.