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Trabalhar com Pequenos Grupos em Sala de Aula

A organização dos alunos em sala de aula deve facilitar a aprendizagem em pequenos grupos. Em relação à aprendizagem dos alunos, podem-se considerar três possibilidades básicas na interação entre eles (Johnson e Johnson, 1997): a) Competir para ver quem é o melhor, o que se caracteriza por uma interdependência negativa onde um “ganha e outros perdem”, b) Trabalhar de maneira individual para alcançar um objetivo sem levar em conta os colegas, onde cada aluno é independente e seu sucesso depende do seu rendimento, e c) Trabalhar cooperativamente com grande interesse na própria aprendizagem e na dos demais, o que é conhecido como aprendizagem cooperativa, a partir da qual os alunos trabalham juntos e sentem que “nadam ou afundam juntos” (Bonals, 2000).

Um dos temas que deve ser tratado para trabalhar em pequenos grupos em sala de aula é o das formações de alunos e suas características. Por exemplo, a pergunta sobre qual é a quantidade ideal de integrantes por cada grupo costuma ser muito habitual. No entanto, não existe um número que possa ser catalogado como ideal, mas sim que isso depende de um conjunto de fatores como, por exemplo, o tipo de atividade e o objetivo que pretendemos com a mesma (Bonals, 2000).

Critérios para formar grupos

Quantidade de integrantes:

Em duplas > pode ser enriquecedor para momentos pontuais; é uma formação fácil de fazer e eficaz para algumas atividades, fazendo a transição entre o trabalho individual e o em grupo. Útil para trabalhar com o computador ou formular perguntas sobre um tema de interesse para o grupo (Bonals, 2000).

Em grupos de três > possibilita uma dinâmica ágil e produtiva e permite ao grupo trabalhar com um clima adequado. Alguns estudos advertem o risco de exclusão do terceiro, no entanto, a nível prático demonstrou-se que não é um motivo de risco considerável para evitar esses grupos. Útil para elaborar textos, fazer resumos ou resolver problemas de matemática (Bonals, 2000).

De quatro componentes > são os mais frequentes e são adequados para a maioria das tarefas que se propõem em pequenos grupos. A dinâmica continua sendo fácil e o número de grupos que o professor deve dinamizar é reduzido. Podem realizar as atividades que foram citadas nos dois grupos anteriores (Bonals, 2000).

De cinco componentes > são os que se formam com maior frequência, depois dos grupos de quatro componentes (Bonals, 2000).

De seis alunos > implicam dificuldades no que diz respeito à participação equilibrada. As tarefas costumam ser mais lentas. Geralmente, prefere-se fazer dois grupos de três pessoas (Bonals, 2000).

De sete ou oito alunos > opta-se por esses grupos em algumas atividades que visam justamente trabalhar a relação ou autoimagem dos alunos através de técnicas dinamizadoras (Bonals, 2000).

Heterogeneidade ou homogeneidade:

Habitualmente, opta-se por trabalhar com grupos heterogêneos, o que requer considerações prévias. Como a necessidade de flexibilidade no critério de formações heterogêneas, ou seja, embora na organização básica se coloquem grupos com alunos de diferentes níveis, às vezes se vê claramente a necessidade de realizar um trabalho em dois níveis de dificuldade: um para os alunos de ritmos rápidos e outro para aqueles que avançam mais lentamente. Neste ponto, o professor pode optar por agrupar os alunos de níveis mais altos ou mais baixos; assim, enquanto uma parte realiza um trabalho determinado, a outra parte realiza uma atividade diferente (Bonals, 2000).

Também a distância conceitual ou procedimental entre alunos. Às vezes, convém que os níveis de alunos que compõem o grupo sejam ligeiramente heterogêneos, mas que a distância entre eles não ultrapasse o nível em que os menos desenvolvidos não podem entender as produções de seus colegas de grupo. A experiência constatou que os alunos mais desenvolvidos oferecem uma ajuda muito valiosa a seus colegas e, além disso, desenvolvem a habilidade de explicar a outros, pelo que na prática se ignora essa ligeira heterogeneidade, juntando os alunos de distintos níveis (Bonals, 2000).

Concretamente, o professor planeja a formação de grupos levando em conta:

– Níveis e ritmos de cada aluno, tentando que os níveis entre eles sejam diferentes, mas próximos (Bonals, 2000).

– Alunos bons “informantes”, que são os que têm habilidades para comunicar conhecimentos, maneiras de fazer os trabalhos ou atitudes dispostas a abordá-los. Em muitas ocasiões, os líderes são bons informantes para os componentes do grupo sobre os quais exercem liderança (Bonals, 2000).

– Os alunos mais necessitados, que podem ter as seguintes características: a) provir de um ambiente pouco estimulante que gera níveis mais baixos, um ritmo mais lento e uma escassa disponibilidade para trabalhar, b) com dificuldades de relacionamento, já que tendem a se inibir e isolar, por isso costumam sentar-se com aqueles colegas que favorecem a resolução desses obstáculos, c) com dificuldades linguísticas devido a não dominarem a língua utilizada em sala de aula, d) os menos aceitos ou que o grupo tende a ter menos em conta, por isso tenta-se unir esses alunos com os bons informantes para que possam ajudá-los, e) alunos repetentes, que têm alto risco de encontrar dificuldades novamente, já que devem se adaptar ao novo grupo, e f) os alunos novos que devem ser colocados com aqueles colegas que mais possam ajudá-los a se integrar (Bonals, 2000).

Quanto ao papel do professor para a formação de grupos, a experiência aponta que o melhor é que seja ele o encarregado de tomar as decisões sobre as formações e monitore a dinâmica de classe, já que é mais consciente sobre as condições ótimas da sala de aula para favorecer o desenvolvimento das capacidades dos alunos (Bonals, 2000). Além disso, se o professor conta com formação em intervenção em dificuldades de aprendizagem, contará com maiores conhecimentos para assegurar a criação de grupos equilibrados.

Isso não quer dizer que não se leve em conta a vontade dos alunos. Trata-se de formar grupos que, além de serem eficazes nas tarefas, os componentes se sintam confortáveis. Portanto, um dos critérios a considerar na formação de grupos é a previsão se os alunos e alunas se sentirão bem. Por outro lado, para decidir as formações dos alunos, é preciso que o professor conheça as informações referentes aos níveis, ritmos e interesses de cada um, dos alunos com capacidade para informar, dos mais necessitados, etc. (Bonals, 2000).

Para isso, sugere-se que exista a figura do assessor, que tem um papel significativo para ajudar a estabelecer os critérios que serão empregados para as formações na avaliação prévia de níveis, ritmos e interesses dos alunos e alunas, na detecção daqueles que precisarão de mais ajuda, etc. Com isso, o assessor pode colaborar na decisão sobre o lugar de cada um (Bonals, 2000).

Além de fazer um trabalho de observação em sala de aula, essa figura (assessor) pode estar atenta ao funcionamento de cada grupo e de cada aluno para complementar a percepção que o professor tem da sala de aula, avaliando os acertos e erros na formação dos pequenos grupos (Bonals, 2000).

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