Desde o início dos processos educacionais, as diferenças significativas no desenvolvimento do comportamento humano tiveram que ser levadas em consideração, as quais são realmente úteis e importantes para a aplicação pedagógica e didática, bem como para determinar as estratégias da psicologia educacional. Por exemplo, “no condicionamento clássico, a aprendizagem é passiva, absorvendo e reagindo automaticamente aos estímulos” (p.38 Coll, Palacios e Marchesi 2014). Enquanto, no condicionamento operante, o aprendiz procede ou “opera” sobre o ambiente.
O condicionamento operante no processo educacional
Assim, certas pesquisas sobre as teorias educacionais, clássicas no contexto de reforço e modificação comportamental do condicionamento operante, puderam determinar como a memória dos bebês repetirá uma ação dias ou semanas depois, se avaliados em um contexto muito análogo àquele em que foram inicialmente treinados. Ou seja, de acordo com os referidos autores:
O tempo durante o qual uma resposta condicionada pode ser conservada aumenta com a idade, oscilando entre dois dias para bebês de dois meses de idade e 13 semanas para os de 18 meses. Em bebês menores, o tempo de retenção pode aumentar dividindo o treinamento em um maior número de sessões. (p.38 ibid)
Em concordância com o que foi expresso anteriormente, pode-se inferir que o condicionamento operante, chave nas teorias da psicologia educacional clássica, é um método de aprendizagem que ocorre através da coesão de reforços, podendo ser recompensas e punições por determinadas respostas mostradas pelo indivíduo. A esse respeito, Reynolds (1968) expressa que as respostas expostas simbolizam uma pequena parte da conduta dos “organismos superiores”, enquanto a conduta restante é operante. Consequentemente, ele diz: “não existem estímulos ambientais evocadores da conduta operante; esta conduta tem a propriedade de simplesmente ocorrer” (p.13).
Da mesma forma, é importante esclarecer que, na terminologia do condicionamento operante, as respostas operantes são emitidas pelos organismos tendo como objetivo principal desta disciplina aumentar ou diminuir a probabilidade de que uma conduta se repita. As ações que obtiverem uma recompensa tenderão a ser realizadas novamente, enquanto as que obtiverem um castigo deixarão de ser executadas.
Assim, ao longo da história, a teoria operante foi construída como uma análise operacional dos três elementos observáveis no estabelecimento de um reflexo operante: o estímulo discriminativo, a resposta e o estímulo reforçador. Esses fatores foram chamados de tríplice relação de contingência, a qual, por sua vez, é composta pelas unidades de análise do comportamento, ou seja, estímulos, respostas, consequências.

Nesse contexto, é relevante notar que a tríplice relação de contingências é uma forma de explicar o comportamento onde, por sua vez, se faz referência à existência de relação entre acontecimentos. Então, se a primeira conduta mostrada for maior que a segunda, a contingência será positiva, enquanto acontecerá o contrário se a resposta for negativa (ibid. Coll, Palacios e Marchesi).
Assim, para o controle e manejo do comportamento, a tríplice relação de contingências é composta pelas unidades de análise do comportamento, ou seja, estímulos, respostas, consequências. Por meio desses elementos, foram desenvolvidas tecnologias para o controle da conduta e sua explicação, onde análises funcionais podem ser realizadas para os “programas de modificação de conduta” nos quais as fontes de aprendizagem são diagnosticadas em termos de antecedentes, condutas e consequentes.
A contiguidade e contingência
Em termos de psicologia da aprendizagem, a contingência é obtida comparando duas probabilidades, onde o “Estímulo Incondicionado” (os alimentos, por exemplo) esteja presente junto com o “Estímulo Condicionado” (som, por exemplo) e que, por sua vez, ocorra em sua ausência.
Sobre este mesmo cenário, para Ponce (2012), se o condicionamento clássico é expresso em termos de contiguidade (simultaneidade), o condicionamento operante é expresso em termos de contingência (probabilidade). Isso pode ser explicado da seguinte forma:
Dois eventos são contingentes quando ocorrem conjuntamente segundo uma certa probabilidade. Por exemplo, um automóvel segurado pode vir a ter um acidente e sofrer danos que exijam reparos, se as condições se derem: que seu condutor dirija embriagado, ou que o embriagado seja outro condutor que o atinja, ou seja, que esteja no momento preciso para receber o golpe (p.259)
Em suma, essa classe de aprendizagem é denominada condicionamento operante, pois o indivíduo aprende a partir das consequências de seu “operar” sobre o ambiente. É necessário lembrar que foi B. F. Skinner quem enunciou os “princípios do condicionamento operante”, em cujo experimento as protagonistas foram principalmente as ratas e pombos, concluindo que os mesmos elementos se aplicam aos seres humanos.
O condicionamento na aprendizagem
O processo de ensino e aprendizagem é composto por quatro elementos: o professor, o estudante, o conteúdo e as variáveis ambientais (fatores que fazem parte essencial do binômio: escola/sala de aula). Então, cada um desses elementos influencia em maior ou menor grau, dependendo da forma como se relacionam em um determinado cenário (Ponce ibid).
Agora, embora esteja claro que o behaviorismo possa ter perdido grande parte do protagonismo que tinha durante a primeira parte do século XX, o “condicionamento operante” continua sendo uma ferramenta significativa e empregada periodicamente nos “processos de modelagem da conduta”. Tanto é assim que muitos pais a utilizam, mesmo que não conheçam em detalhe e profundidade a teoria que a subjaz, e, claro, os professores, da mesma forma, fazem uso das estratégias que provêm dessa teoria, porque permite precisamente um melhor controle e manejo do grupo estudantil, bem como um processo de aprendizagem em coletivo.
Planos de ação e estratégias da psicologia educacional
Agora, dentro de contextos escolares reais, é necessário prevenir e erradicar o problema a fundo, identificando a sintomática comportamental de forma pontual, sem esquecer que a escola em seu conjunto deve analisar o tema integralmente e devem ser tomadas as decisões mais convenientes de acordo com o contexto. Por exemplo, fazendo uso da teoria clássica do behaviorismo, especificamente no condicionamento operante, podem ser dadas sugestões para melhorar situações de bullying, os quais estão presentes em abundância nos cenários educacionais e vêm afetando ciclicamente crianças e jovens em nível mundial, sendo um problema de origem comportamental.
Dito isso, é imprescindível que nos planos de ação acordados haja responsáveis pelo que se pretende fazer e processos de avaliação de resultados. Algumas ações realizadas em instituições educacionais que conseguiram diminuir o bullying escolar de acordo com Frola e Velásquez (2011):
- O problema é reconhecido e a responsabilidade da escola e seus atores é assumida.
- O problema é discutido publicamente na presença de todos os atores envolvidos.
- Conselhos escolares são estabelecidos para acompanhar as ações acordadas, entre as quais não podem faltar a vigilância e o estabelecimento de regras claras e públicas em caso de agressões.
- Projetos transversais são realizados para tratar o problema em todas as disciplinas, com a finalidade de criar consciência e sensibilizar todos os estudantes para o problema.
- Dinâmicas de convivência saudável são criadas na sala de aula e na instituição educacional em geral, enfatizando o fortalecimento das boas relações e da solidariedade com os outros.
- Ações são realizadas a partir do trabalho em sala de aula para fortalecer a autoestima de todos os alunos e são promovidas as manifestações de afeto entre toda a comunidade escolar.
- São promovidos os grupos de aprendizagem cooperativa, cuidando para que todos os alunos sejam incluídos no trabalho da sala de aula.
Como pôde ser observado, embora não se demonstrem literalmente os reforços negativos e/ou positivos que podem ser aplicados para efeitos de modificar determinada conduta problema, em um contexto psicológico infantojuvenil determinado, de forma subliminar em cada uma das estratégias propostas, estão presentes a contiguidade e contingência chave no condicionamento operante.
Em suma, a questão está em diversificar sobre o já estudado e abordado no campo da psicologia educacional, focando e intervindo de outras perspectivas e adaptando-as ao mundo atual.
Bibliografia
Coll C, Palacios J, Marchesi A, (2014). Desarrollo Psicológico y Educación. Alianza Editorial, Madrid.
Frola P, y Velásquez J (2011). Estrategias de intervención. Los problemas de la Conducta en el aula Centro de Investigación Educativa y Capacitación Institucional S.C. México D.F
G, S Reynolds (1964). Compendio de Condicionamiento Operante. Universida de California Estados Unidos de América.
Ponce M, Fundamentos. (2012). TOMAS PONCE MEJIA Red Tercer Milenio – PDF Free Download. Docplayer.es. https://docplayer.es/16138328-Tomas-ponce-mejia-red-tercer-milenio.html