Nas seções anteriores, são descritos diferentes aspectos da interculturalidade; neste capítulo, abordaremos modelos e programas em relação à educação intercultural. Para aqueles que não leram as duas primeiras partes desta série de posts, podem lê-los aqui: Primeira parte, Segunda parte.
Esses modelos foram extraídos textualmente do Programa de Mestrado em Intervenção em Dificuldades de Aprendizagem, no tema de Interculturalidade, da unidade didática 2 do tema do projeto de educação intercultural.
Modelos de educação intercultural
O desenvolvimento de cada um desses modelos contribui para o trabalho que realizamos com as diferentes culturas nos diversos continentes. A Instituição será, portanto, quem deverá liderar essas mudanças por meio de políticas públicas e um projeto social que integre cada um dos elementos envolvidos neste tema.
Modelo racista ou segregador
Separa os alunos de acordo com a origem racial ou cultural; é acompanhado por uma segregação efetiva, territorial, econômica e política.
Modelo assimilacionista ou compensatório
Consiste em conseguir a assimilação das minorias culturais à cultura dominante e o abandono de sua cultura de origem. Este modelo se sustenta na teoria do déficit cultural, que justifica a necessidade dos programas de educação compensatória, destinados a populações socioculturalmente deprimidas.
Modelo integracionista ou aditivo
Propõe o ensino e a aprendizagem não apenas da língua de acolhimento, mas também a manutenção da língua materna e de alguns rudimentos das culturas de origem. É uma modalidade centrada nas capacidades individuais e não na bagagem cultural coletiva.
Modelo multicultural ou pluralismo cultural
Assume-se o direito à diferença cultural e dá-se importância à provisão de informações sobre a cultura das minorias para facilitar a compreensão mútua.
Modelo de relações humanas ou de compreensão mútua
Pretende o objetivo de que todos valorizem as diferenças culturais, bem como aprendam sobre os diversos grupos, a eliminação de preconceitos raciais e estereótipos e o reconhecimento explícito do direito à diferença cultural. Promove a comunicação e o diálogo entre grupos culturais diversos, buscando a solidariedade entre eles.
Modelos de transformação social
O objetivo é a tomada de consciência das pessoas pertencentes a minorias culturais para compreender criticamente uma realidade. A educação é fundamentalmente um combate ideológico para desmascarar o racismo institucional.
Modelo holístico ou global
O objetivo é educar para a cidadania em uma sociedade multicultural; propõe que todos os elementos que configuram a intervenção escolar sejam abordados a partir de novas bases.
A pedagogia e a interculturalidade
A pedagogia e sua relação com a interculturalidade convida a preparar a cidadania por meio de uma atitude que compreenda componentes afetivos, cognitivos e comportamentais; ou seja, os sentimentos e atributos sobre o outro, a crença e resposta em relação ao outro para que assim se possa criar uma cidadania intercultural.
Esta cidadania é aquela que reconhece seus membros, que adere a projetos comuns e que possui vínculos sociais diversos com o objetivo de incorporar estratégias educativas e formativas, e criar ambientes educativos e formativos que favoreçam o desenvolvimento do sentimento de pertencimento, considerando o conhecimento mútuo, a aceitação, a valorização, a coesão social e o desenvolvimento das pessoas e da cidadania intercultural como processo.
A educação para a cidadania converge com outras correntes, tais como a educação não sexista, educação intercultural, educação antirracista, educação ecológica, educação para o desenvolvimento, educação em direitos humanos, educação democrática, educação para a tolerância e educação para a paz. Pina, B. (ISEP 2013) Além disso, quais serão os objetivos propostos para o desenvolvimento de um novo Programa Intercultural?
Objetivos da interculturalidade
1. Potencializar as diversas culturas que convergem em um território para a consolidação de uma cidadania intercultural, respeitando em todos os seus aspectos as condições próprias de cada ser, com o propósito de desenvolver e ampliar a cultura de cada integrante imigrante.
2. Dar a conhecer os direitos e deveres com igualdade àqueles que emigram de sua pátria para outro lugar em busca de melhores condições laborais, familiares, econômicas com equidade e aceitação da cultura do outro.
3. Promover o sentido de cooperação na busca de melhores oportunidades para aqueles que chegam a um novo território, acolhê-los, validá-los, sem abusos diante das necessidades e ambições que trazem.
4. Fortalecer o enriquecimento cultural com novas formas culturais de vida, com uma visão ampla, de respeito e carinho para com outros integrantes desta nova e dinâmica sociedade à qual pertencemos.
5. Abrir as escolas a menores imigrantes que necessitam acessar um sistema educativo, desenvolvendo programas especiais de avaliação e intervenção pedagógica de acordo com os requisitos dos casos.
6. Expandir a cultura dos estudantes imigrantes e compartilhar a riqueza de sua cultura, tradições, formas de pensar e de agir, seus elementos típicos, flora, fauna, de modo a integrar sua cultura à cultura base para complementá-la, ampliá-la e diversificá-la, por meio de atividades nos diferentes subsetores estabelecidos de maneira lúdica e comprometida.
Por último, deixo um vídeo que considero muito interessante: