O Método de Ações Terapêuticas, também conhecido pela sigla MAT, é um método que cada vez mais ganha importância entre os profissionais que realizam terapia com seus pacientes. Ao longo destas linhas, explicarei a vocês do que se trata o MAT e por que considero positivo incluí-lo nas sessões.
O que é o Método de Ações Terapêuticas?
O Método de Ações Terapêuticas ou MAT é um recurso que aborda aquilo que nos interessa ou incomoda através da encenação de tais situações, sejam elas imaginárias ou reais, passadas, presentes ou antecipadas. Tudo vale para exteriorizar o que nossa mente produz, projetando-o sobre um espaço cênico onde, com a utilização de várias técnicas, poderemos explorar aqueles pensamentos, emoções e sensações físicas, para poder tomar consciência do que nos afeta e conseguir transformar o que pode ser mudado ou aceitar o que é impossível de modificar.
Este dispositivo surge da integração de distintos procedimentos de tratamento como a Teatroterapia, a Terapia Cênica, a Arteterapia, o Psicodrama Grupal da Multiplicidade, o Corpodrama e o Acompanhamento Terapêutico.
Fases do Método de Ações Terapêuticas
Começa-se com um diálogo entre os participantes sobre os temas que lhes interessaria trabalhar nessa reunião e/ou com as leituras de palavras que ficaram ressoando do encontro ou terapia anterior. Para poder entrar em ação mais tarde, continua-se com um aquecimento e resfriamento do corpo, de acordo com as necessidades que se estejam tendo naquele momento. Primeiro, alguns alongamentos e movimentos livres, para continuar com alguma dinâmica que sirva para ir entrando no clima. Depois, faz-se um escaneamento corporal para reconhecer como o corpo se encontra e uma visualização guiada que ajudará a produzir pensamentos em imagens sobre o que se precisa aqui e agora. Comenta-se o que surgiu e escolhe-se alguém para encenar o que evocou.
Dispõe-se de um setor da sala para montar o espaço cênico no qual se recriará aquilo que vivemos, sonhamos ou imaginamos que possa nos acontecer. Não estamos sozinhos: quem encena a cena (protagonista) e eu (diretor de cena).
Alguém do grupo pode participar para ocupar o papel de outra pessoa que esteja envolvida nessa situação (auxiliar). Quem não participa diretamente da ação (por ser parte do público ou audiência) pode se incorporar depois em alguma técnica ou recurso quando o convite for feito. Quem encena a cena especifica o vivido ou imaginado, contextualizando lugar, interações, afetos e escolhe auxiliares caso seja necessário.
A cena começa a se desenvolver; em algum momento, ela para e introduz-se alguma técnica para explorar e aprofundar o que está surgindo. Cada uma das técnicas tem objetivos próprios que ajudam a ampliar a expressividade e a alcançar os fins desejados.
Técnicas utilizadas nas ações terapêuticas
As mais utilizadas são: solilóquio (expressando o que sente), inversão de papéis (onde se trocam os papéis entre os personagens para obter outro ponto de vista da situação), duplicação (onde alguém expressa outros sentimentos que os personagens não mencionaram), espelho (onde se busca que quem encena a cena se veja de fora com a ajuda de alguém que representa seu papel), interação (sentimentos que se expressam entre os que estão em cena), trocar palavra por movimentos ou sons, maximizar (exagerar sons ou movimentos), câmera lenta (encena-se mais devagar algum momento de intensidade), simbolização (onde alguém que auxilia materializa alguma emoção ou representa algum objeto significativo), entrevista (fazem-se perguntas a quem protagoniza para obter mais informações sobre os personagens ou a situação), interpolação de resistência (onde o personagem antagonista faz o contrário do que se vinha representando), escultura (onde se modifica a postura corporal de alguém que auxilia para que possa expressar com esse corpo algo da cena), eco (onde alguém que auxilia expressa com voz mais elevada o que diz quem protagoniza), diálogo imaginário (recriação de uma situação que não ocorreu). Há mais técnicas dentro do Método de Ações Terapêuticas (MAT) que podem ser utilizadas quando for necessário intervir com elas para desdobrar o que está sendo encenado, como as instalações estéticas, distanciamentos, entre outras.
Depois que a cena foi encenada e as técnicas ativas foram utilizadas, busca-se fechar a história com a despedida dos personagens, deixando para trás esse jogo simbólico do “como se” isso tivesse acontecido e voltamos ao grupo para deixar esse espaço cênico livre, para recriar Micro-Cenas-Ressonantes –Improvisadas (MERI) que surjam naquele momento, que levem ou não em conta o que aconteceu. Podem ser singulares ou coletivas. Quem a criou lhe dará um título para dar algum sentido ao que foi encenado.
Já finalizada esta etapa, voltamos ao grupo para compartilhar comentários sobre o que nos tocou de tudo o que aconteceu, sem “AJI” (nem aconselhar, nem julgar, nem interpretar). Depois desta última etapa, faz-se o convite para que, caso essas pessoas se reúnam novamente, possam trazer por escrito palavras próprias ou alheias que ressoem com os afetos que se fizeram presentes no ocorrido naquele encontro de MAT.
Conclusões do MAT
A maioria das pessoas que participaram destas ações terapêuticas expressa que, ao colocar o corpo, as conexões entre o que pensamos, sentimos e fazemos são aumentadas. Que surgem outros pontos de vista sobre o que acontece ou se imagina. Que algo muda, que surgem outros desejos, outros pensamentos, outras sensibilidades. Por isso, atrevo-me a dizer que é uma abordagem muito potente e que ninguém sabe o que uma cena pode conseguir…