14 de setembro de 2021, Mariela Carrasco

Vício em videogames

Cada vez mais crianças e jovens jogam videogames e, como consequência de seu uso incorreto, acabam se tornando viciados neles.

Tanto é assim que, em 2018, devido a essa crescente problemática, a Organização Mundial da Saúde (OMS) catalogou o vício em videogames como um transtorno de saúde mental, incluindo-o na seção relacionada aos transtornos aditivos da Classificação Internacional de Doenças.
Vantagens do uso de videogames Existem inúmeras e importantes vantagens para os programas de prevenção do abuso e da dependência de videogames. Entre estas, destacam-se: São uma forma de entretenimento divertida que não deve ser incompatível com a realização de outras atividades, inclusive ao ar livre. Favorecem a concentração, a atenção seletiva, a MCP, a MLP, a agilidade mental e a aptidão visoespacial… Desenvolvem a coordenação óculo-manual e os reflexos, assim como o tempo de reação. Apresentam um bom ambiente para a aprendizagem, pois desenvolvem a curiosidade e a criatividade e podem favorecer aplicações criativas. Favorecem a autoestima. Muitos videogames são educativos e diminuem a probabilidade de comportamentos problemáticos. Favorecem a socialização, ao fazer parte de uma “comunidade” de jogadores. Podem mitigar o estresse.
Inconvenientes do uso de videogames Os videogames estão no ponto de mira de todos aqueles que trabalhamos na saúde infantojuvenil. E, embora nem todos os inconvenientes sejam aplicáveis aos videogames, isso deve nos permitir ser mais conscientes no momento da compra, lendo as informações detalhadas, a idade para a qual são recomendáveis… Entre os principais inconvenientes do uso de videogames, encontramos: Transmissão de valores violentos. Embora muitos pensem que esses valores não serão transmitidos para os padrões de comportamento geral da criança ou do adolescente, uma vez que um é o mundo virtual e outro é o real, isso não é verdade. De fato, o psicólogo Albert Bandura foi quem nos falou sobre a aprendizagem vicária ou modelagem como uma forma de aquisição de novas condutas pela observação. Nessa aprendizagem, o reforço de uma conduta baseia-se naqueles processos cognitivos de imitação do comportamento do modelo. Portanto, os adolescentes expostos aos videogames violentos podem chegar a aprender modelos para interagir e responder violentamente ao seu entorno social e, como associam sentimentos positivos à violência, ocorre uma dessensibilização sistemática. A partir daí, um adolescente pode entender a violência como algo normal e tolerável, tornando-se insensível à dor dos outros.
ransmissão de valores sexistas e, concretamente, a transmissão de atitudes que promovem os estereótipos de papel sexual, ou seja, as crenças de que somos diferentes em função do sexo e do papel social atribuído. Nesse sentido, muitos videogames apresentam a mulher como um objeto sexual, dão-lhe um papel pouco relevante socialmente e dependente do homem, o que significa que fomentam comportamentos machistas dos quais já deveríamos estar nos afastando. Isso é relevante, pois a aprendizagem de valores forma a personalidade da criança e do adolescente. Quando se dedica um tempo excessivo aos videogames, limita-se, reduz-se e, inclusive, elimina-se o tempo que poderia ser dedicado a outras atividades necessárias, convenientes ou agradáveis. Alguns videogames de estratégia, ação ou role-playing produzem uma resposta de estresse muito elevada, que gera sintomatologia fisiológica de ansiedade. Problemas nas relações familiares e sociais. O uso excessivo de videogames, em termos de tempo, diminui o tempo que poderia ser dedicado às atividades em família ou às interações sociais que fazem com que o comportamento seja adaptativo e saudável. Efeitos físicos secundários. A exposição a uma estimulação óptica excessiva, em alguns casos, com grandes descargas de iluminação de uma vez, as radiações emitidas pela tela, a postura corporal incorreta e, inclusive, a falta de higiene em alguns quartos onde se joga por horas, sem sair, ventilar, comendo ou sem tomar banho, prejudica seriamente a saúde e o bem-estar das crianças e adolescentes. Vício. Algumas das questões anteriores favorecem um uso excessivo dos videogames que poderia se tornar um abuso. No entanto, falaríamos de vício em jogos online se, aos anteriores, somarmos a incapacidade de realizar suas atividades cotidianas, a necessidade de jogar cada vez mais tempo para conseguir os mesmos objetivos e o mal-estar intenso quando se fica um tempo – ou quando se é privado, por exemplo, por causa de um castigo – sem jogar videogames.
Pautas para gerir e limitar o uso de videogames Estabelecer um horário de jogo. Antes de começar a jogar, programem juntos: durante quanto tempo se vai jogar e qual será o momento de terminar para fazer outras atividades ou manter relações saudáveis com a família e os amigos. Alguns jogos não salvam os resultados obtidos se não se chega a uma determinada fase, o que sempre adia a finalização e o desejo de jogar do filho ou adolescente é potencializado. Na modalidade multiplayer online, os jogos não terminam mesmo que o jogador abandone a partida, favorecendo também a demora na finalização. Portanto, acordar uma hora de início e outra de término se torna um mecanismo de controle fundamental, pois permite uma regularidade nos padrões de alimentação, sono e realização de tarefas cotidianas, escolares e domésticas. Concretizar as atividades a serem realizadas nos períodos em que não se joga. Considerar tanto as tarefas escolares e cotidianas quanto as atividades de lazer – não vinculadas aos videogames – familiares e sociais, que sejam alternativas saudáveis. Evitar ou controlar os videogames online. Por suas características, são os mais viciantes do mercado devido a diversas questões: como já mencionei, a atividade continua mesmo que seu filho tenha abandonado o jogo, o que favorece uma demora na finalização e potencia o desejo de continuar jogando; não têm um final determinado, pois sempre há mais níveis a serem alcançados, mais pontos a serem obtidos e, em alguns deles, dinheiro; estabelecimento de comunidades virtuais de jogadores com interesses semelhantes, com o consequente senso de pertencimento. Por isso, é importante controlar o tempo que nossos filhos passam jogando videogames online, até que tenhamos uma organização do tempo livre suficientemente bem estruturada para não permitir passar tempo demais jogando. Não instalar o console de videogame ou o computador no quarto. Quando se joga no quarto, todos os comportamentos anteriormente descritos são potencializados, favorecendo o isolamento familiar e social, alterando a realização das tarefas escolares, cotidianas e domésticas, alterando os padrões de alimentação e sono, que podem ser interrompidos, e dificultando a realização de atividades com a família. É melhor ter tanto o console de videogame quanto o computador em alguma das áreas comuns da casa, como a sala de jantar, a sala de estar ou alguma sala de convivência. Conhecer os videogames que seus filhos utilizam. Assim, controlamos aqueles conteúdos que, pela idade, consideramos indesejáveis e, por outro lado, quebra-se a barreira geracional que a aparição das novas tecnologias produz.
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